Baratas em restaurante: como a Anvisa decide a interdição
Quatro casas de uma praça de alimentação de aeroporto ficaram fechadas até provar que a praga acabou. A régua vale igual para a sua.
Uma inspeção da Anvisa na praça de alimentação do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), terminou com quatro restaurantes interditados depois que a equipe encontrou baratas nos estabelecimentos. O caso é de novembro de 2023, e a régua aplicada ali continua valendo igual para o bar de esquina, a pizzaria de bairro e a padaria.
As quatro operações só poderiam reabrir depois de comprovar que a infestação tinha sido eliminada, sem data marcada no papel, dependendo de o operador juntar tratamento, laudo e evidência. A concessionária do aeroporto também foi notificada e teve cinco dias para prestar esclarecimentos.
O tamanho do risco financeiro está na Lei 6.437/1977, que rege a infração sanitária no país. A multa vai de R$ 2.000 nas infrações leves a R$ 1.500.000 nas gravíssimas, dobra na reincidência e pode vir somada à interdição parcial ou total do estabelecimento. O valor é graduado pela capacidade econômica do infrator, então a casa pequena não paga o teto, mas também não sai ilesa.
O que leva a Anvisa à interdição de um restaurante com baratas
A norma que o fiscal usa é a RDC 216/2004. O item 4.3.1 exige que estrutura, instalações, equipamentos, móveis e utensílios estejam livres de vetores e pragas urbanas, com ações eficazes e contínuas para impedir a presença delas. Não é meta de esforço, é resultado observável no dia da visita.
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Quando a prevenção falha, o item 4.3.2 só admite controle químico feito por empresa especializada, com produtos regularizados pelo Ministério da Saúde. Dedetização improvisada pela equipe da cozinha não conta como controle e ainda vira infração nova. O item 4.3.3 cobra procedimentos antes e depois do tratamento, com higienização de equipamentos e utensílios para remover resíduo.
Há ainda o item 4.1.4, o mais barato de resolver e o mais esquecido: as aberturas externas das áreas de armazenamento e preparação precisam de telas milimetradas removíveis para limpeza. Tela furada em janela de estoque é achado de dois minutos.
A conta de ficar fechado é maior que a multa
Interdição não tem data de saída. Ela dura enquanto a casa não provar que resolveu, e cada dia parado carrega folha integral, perecível perdido, entregador ocioso e loja apagada nos aplicativos, o que derruba o posicionamento por semanas depois da reabertura.
Quem opera dentro de shopping, aeroporto, hospital ou praça de alimentação tem uma camada a mais. O contrato de cessão costuma trazer cláusula sanitária, e o administrador do espaço responde junto, o que o torna rápido em aplicar penalidade. A praga é do prédio, não da loja: infestação no vizinho, na lixeira comum ou na caixa de gordura coletiva chega na sua cozinha, e a interdição sai no seu CNPJ.
A trilha de papel que segura a fiscalização
O que separa a advertência da interdição costuma ser prova. Ordem de serviço da empresa de controle de pragas com a licença sanitária dela, laudo com produto e concentração, procedimento padronizado de pragas, cronograma de higienização e registro de treinamento formam o pacote que o fiscal aceita ver na hora.
Esse conjunto deve mudar em breve: a Anvisa abriu em 2025 a revisão da RDC 216/2004, com análise de impacto regulatório e oficina de validação das alternativas. Quem já mantém o registro em dia atravessa a troca de norma sem susto.
O que fazer com isso
- Peça hoje à sua empresa de dedetização a cópia da licença sanitária dela e o laudo do último tratamento, e guarde os dois num arquivo físico na casa.
- Ande pela cozinha procurando o item 4.1.4: tela nas aberturas externas, ralo com fecho, porta com vedação na soleira e passagem de tubulação sem fresta.
- Combine com o administrador do shopping ou da praça de alimentação um calendário de tratamento das áreas comuns por escrito, já que a infestação do vizinho fecha a sua loja.
- Monte a pasta de boas práticas com procedimento de pragas, cronograma de higienização e lista de treinamento, e deixe perto do caixa.
Para aprofundar
- Os critérios de interdição que a vigilância sanitária usa na cozinha
- Interdição por falta de alvará sanitário fecha cozinha na Bahia
- Interdição da Visa Manaus: multa de até R$ 61 mil e porta fechada
Fontes
- Quatro restaurantes da praça de alimentação do Aeroporto Internacional de Viracopos são interditados (Todo Dia)
- Quatro restaurantes em Viracopos são interditados pela Anvisa (Band)
- Resolução RDC nº 216, de 15 de setembro de 2004 (Anvisa)
- Lei nº 6.437, de 20 de agosto de 1977 (LegisWeb)
- Anvisa realiza oficina de validação das alternativas regulatórias para a revisão da RDC nº 216/2004 (Anvisa)
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