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Donos de Restaurante Sábado, 19 de setembro de 2026

Custos

Inflação da alimentação fora do lar sobe 5,99% em 12 meses

Com o IPCA em deflação e a feira mais barata, o prato servido fora de casa segue subindo, e o cliente do vale-refeição já sente a diferença no bolso

Inflação da alimentação fora do lar sobe 5,99% em 12 meses, imagem ilustrativa
Foto: Reprodução

O IPCA de agosto, divulgado pelo IBGE em 11 de setembro, registrou deflação de 0,32%, e a inflação acumulada em 12 meses recuou para 4,22%. A alimentação no domicílio caiu 0,61% no mês, puxada por batata (queda de 19,89%), cenoura (11,22%), cebola (11,07%) e tomate (10,94%).

Na contramão, a alimentação fora do domicílio subiu 0,36% em agosto. O lanche avançou 0,62% e a refeição, 0,18%. Em 12 meses, comer fora acumula alta de 5,99%, contra 3,62% do grupo Alimentação e bebidas como um todo. É a linha que mais sobe na cesta alimentar do brasileiro.

O dado ganhou destaque num artigo publicado nesta semana pelo presidente da Consuma Gastronomia, empresa de refeições coletivas, que liga o preço do prato à queda no poder de compra do vale-refeição e, por consequência, à qualidade do que o trabalhador consegue comer no almoço.

Por que a inflação da alimentação fora do lar descola da feira

Preço de restaurante não acompanha o hortifrúti na mesma velocidade. No cardápio pesam mão de obra, aluguel, energia, gás e embalagem, custos que não caíram junto com a batata. E os insumos que mais contam na ficha técnica de muita casa andaram para o outro lado: em agosto, o leite longa vida subiu 1,78% e as carnes, 0,61%.

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Há ainda o efeito de repasse atrasado. Quem segurou preço durante o pico de custos do primeiro semestre ajustou o cardápio depois, e esse ajuste aparece no índice agora, quando parte dos ingredientes já barateou.

O cliente do almoço está com menos fôlego

O outro lado da conta está no bolso de quem come fora. Levantamento da Pluxee divulgado em julho mostra que a refeição média chegou a R$ 44,69 em 2026, alta de 4,3%, enquanto o valor médio do benefício creditado pelas empresas subiu só 1,5%, para R$ 583,75. Resultado: o vale-refeição cobre, em média, nove dias úteis por mês, 4,4% menos que no ano passado.

Na prática, a partir da segunda semana o cliente do almoço executivo passa a pagar do próprio bolso. Ele não some, mas troca: busca prato mais barato, divide, leva marmita ou migra para o lanche. Não por acaso, o lanche subiu mais que a refeição no IPCA de agosto, sinal de demanda aquecida nesse formato.

Margem que existe agora pode sumir em dois meses

A combinação de preço de venda em alta e parte dos insumos em queda abre uma janela de margem para quem trabalha com muito hortifrúti. Mas a janela é estreita. Leite e carnes seguem pressionados, e a queda de verduras e legumes é sazonal. Quem usar o alívio de agosto para justificar reajuste amplo no cardápio corre o risco de afastar justamente o cliente que já está contando os dias do vale.

O caminho mais seguro é usar a folga para proteger o volume, não para aumentar preço de tudo.

O que fazer com isso

  • Refaça a ficha técnica dos pratos com mais hortifrúti usando os preços de setembro, e veja quanto de margem a queda de batata, tomate, cebola e cenoura liberou de fato.
  • Separe no cardápio os itens que dependem de leite, queijo e carne, e só reajuste esses se o custo novo estiver confirmado na nota do fornecedor.
  • Monte uma opção de almoço abaixo da média de R$ 44,69 para segurar o cliente de vale-refeição na segunda metade do mês.
  • Acompanhe a venda de lanche contra a de refeição nas próximas semanas: se o lanche crescer, vale reforçar esse formato no horário do almoço.

Para aprofundar

Fontes

H
Helena Braga · editora de Custos
· atualizada em 19 de setembro

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