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Donos de Restaurante Sábado, 19 de setembro de 2026

Mercado

Vendas de bares e restaurantes sobem 7,4% em agosto, mas margem aperta

Índice Abrasel-Stone mostra o 11º mês seguido de alta anual, mas o ritmo caiu frente a julho e o custo está sendo engolido pelo caixa das casas

Vendas de bares e restaurantes sobem 7,4% em agosto, mas margem aperta, imagem ilustrativa
Foto: Reprodução

As vendas de bares e restaurantes cresceram 7,4% em agosto de 2026 na comparação com agosto do ano passado, segundo o Índice Abrasel-Stone, divulgado nesta semana. É o 11º mês consecutivo de alta anual no setor.

O número vem com duas ressalvas. Na comparação com julho, as vendas recuaram 0,2%. E o crescimento anual desacelerou: em julho a alta tinha sido de 10,4%. O índice é montado a partir das transações de estabelecimentos que usam a maquininha e a estrutura de pagamentos da Stone, em 24 estados.

Dos 24 estados acompanhados, 23 cresceram. Só Tocantins caiu, 1,6%. O Nordeste puxou a fila, com média de 10,3%, seguido por Centro-Oeste (7,3%), Sudeste (7,1%), Norte (6,5%) e Sul (6%).

Vendas de bares e restaurantes por estado: onde o salão cresceu mais

A Paraíba liderou com 18,8%, à frente de Sergipe (16,8%), Alagoas (12,9%), Rondônia (12,8%) e Mato Grosso (12,5%). Nos maiores mercados, o avanço ficou perto ou abaixo da média nacional: Minas Gerais teve 7,5%, São Paulo 6,7% e Rio de Janeiro 6,2%.

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No Sul, Santa Catarina cresceu 9,2%, enquanto Rio Grande do Sul (4,8%) e Paraná (4%) ficaram entre os mais fracos do país, ao lado de Pará (3,9%), Rio Grande do Norte (3,4%), Mato Grosso do Sul (3%) e Ceará (1,4%).

Para quem opera, a comparação útil é com a própria casa. Se o seu faturamento de agosto ficou abaixo da alta do seu estado, o problema tende a ser interno, não de mercado.

Faturamento sobe, mas a margem não acompanha

Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel, disse que agosto mostra que o bom momento do consumo não ficou restrito ao resultado excepcional de julho. Mas ele descreve uma equação mais apertada: para manter clientela e competitividade, muitos empresários estão absorvendo aumento de custo na margem em vez de repassar tudo ao cardápio. Crédito caro e despesa operacional maior são os fatores citados.

Guilherme Freitas, economista da Stone, avalia que a variação próxima de zero na comparação mensal indica que o setor preservou boa parte do nível de atividade, apesar da desaceleração do crescimento anual.

Há um detalhe importante: o índice mede vendas em reais, e a divulgação não informa se os números são descontados da inflação. Parte da alta, portanto, pode ser preço e não movimento.

Supermercado ficou mais barato e o cardápio, não

O IPCA de agosto, divulgado pelo IBGE em 11 de setembro, mostra deflação de 0,32% no mês. A alimentação no domicílio caiu 0,61%, com batata, cenoura e cebola em queda forte. Já a alimentação fora do domicílio subiu 0,36%, com lanche em 0,62% e refeição em 0,18%.

Isso tem dois lados. O insumo de hortifrúti ficou mais barato, o que alivia a ficha técnica. Ao mesmo tempo, comer em casa ficou relativamente mais em conta, e a distância de preço entre o mercado e o restaurante aumentou, o que pesa na decisão do cliente mais sensível a preço.

O que fazer com isso

  • Compare o crescimento de agosto da sua casa com o índice do seu estado, usando o mesmo mês do ano passado como base, para separar problema de mercado de problema de operação.
  • Refaça a ficha técnica dos pratos que usam batata, cebola e cenoura e confira se a queda desses itens já chegou ao preço do seu fornecedor.
  • Calcule quanto de custo você absorveu na margem nos últimos meses antes de decidir o próximo reajuste de cardápio, em vez de repassar tudo de uma vez.
  • Revise dívidas e antecipação de recebíveis, já que crédito caro é um dos fatores que a própria Abrasel aponta como pressão sobre a margem.

Para aprofundar

Fontes

T
Tomás Ferraz · editor de Mercado
· atualizada em 17 de setembro

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