Franquias de alimentação crescem 13,7% e longevidade vira tema
Encontro da ABF em Curitiba discutiu por que tanta casa fecha antes dos cinco anos, enquanto o segmento de alimentação cresce acima da média do franchising
O Encontro Regional Sul da Associação Brasileira de Franchising (ABF), realizado no Sebrae de Curitiba, colocou a longevidade das empresas no centro da conversa entre franqueadores, franqueados e consultores. A programação reuniu nomes como André Novaes (Nutty Bavarian), Júlio Segala (Kumon) e Lisandro Corazza (Upvet), sob coordenação de Leonardo dos Anjos, diretor regional da ABF Sul.
O pano de fundo é um segmento em alta. As franquias de alimentação faturaram 13,7% a mais no segundo trimestre de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, à frente da média do franchising, que avançou 9,3%. O setor inteiro movimentou R$ 76,3 bilhões no trimestre e R$ 149 bilhões no primeiro semestre, alta de 9,7%, com 207,2 mil unidades em operação e 1,8 milhão de trabalhadores diretos.
Crescer, porém, não é a mesma coisa que durar. Dos negócios abertos no Brasil em 2017, só 37,9% continuavam ativos cinco anos depois, segundo a Demografia das Empresas do IBGE. Alojamento e alimentação é o segundo setor que mais abre empresas no país e o terceiro em empresas ativas, sinal de rotatividade alta: entra muita casa nova e sai quase a mesma quantidade.
O que sustenta a longevidade de franquias de alimentação
O que separa a rede que atravessa uma década da que some em dois anos raramente é o cardápio. É processo repetível. Rede madura trabalha com ficha técnica fechada, ficha de custo revisada quando o insumo muda de preço e um punhado de indicadores olhados toda semana: CMV por prato, ticket médio por canal, custo de mão de obra sobre a venda e margem de contribuição por item.
Publicidade
Para quem opera casa própria, sem franqueadora por trás, a lição é a mesma e o trabalho é seu. Se não existe padrão escrito para a montagem da pizza, do prato executivo ou do sanduíche, a margem vira sorte: muda o cozinheiro, muda o custo, e o resultado do mês só aparece quando já não dá para corrigir.
Crescimento do setor não garante caixa na sua casa
O número da ABF mede o faturamento agregado das redes, não o que sobra no seu caixa. Segmento crescendo dois dígitos significa concorrência nova na esquina, disputa por ponto e por gente treinada. Em ano de juros altos e crédito caro, expansão apressada é o que mais mata operação saudável: aluguel de ponto premium fechado na expectativa de um faturamento que ainda não existe.
A régua prática é simples. Antes de assinar segunda unidade, franquia ou não, a primeira precisa gerar caixa suficiente para pagar a operação, remunerar o dono e ainda sobrar reserva para três meses de despesa fixa. Quem abre a segunda com dinheiro da primeira que ainda não fechou o ciclo empurra o problema para as duas.
Franquia ou marca própria: a conta que muda
Franquia cobra taxa inicial, royalties mensais e fundo de propaganda, e entrega manual, fornecedor homologado, marca conhecida e consultor de campo. Marca própria não paga royalty nenhum e paga tudo em tempo: você desenha o processo, negocia cada insumo e constrói a reputação do zero. As duas rotas funcionam, mas exigem escolha consciente, não improviso.
O que fazer com isso
- Escreva a ficha técnica dos dez itens que mais vendem, com gramagem e custo, e recalcule o CMV assim que qualquer insumo subir.
- Feche um painel semanal com quatro números apenas: venda por canal, CMV, folha sobre venda e caixa livre no fim da semana.
- Segure a segunda unidade até a primeira pagar a si mesma, o pró-labore e três meses de despesa fixa em reserva.
- Compare a taxa total da franquia que te interessa com o custo real de montar o mesmo processo sozinho, incluindo o seu tempo.
Para aprofundar
- Franquias de alimentação crescem 13,7% e ABF leva debate a BH
- Franquias de alimentação crescem 13,7% no 2º trimestre
- Restaurantes de serviço rápido crescem 22,6% e mudam o food service
Fontes
Publicidade





