Franquias de alimentação crescem 13,7% no 2º trimestre
Faturamento do food service franqueado subiu quase cinco vezes mais que o número de lojas: o ganho veio de vender mais em cada operação, não de rede maior.
O franchising brasileiro faturou R$ 76,3 bilhões entre abril e junho, alta nominal de 9,3% sobre o mesmo trimestre de 2025, segundo a Pesquisa Trimestral de Desempenho da Associação Brasileira de Franchising (ABF), divulgada em 3 de setembro. Dentro desse total, o segmento Alimentação Food Service cresceu 13,7%, o terceiro maior avanço do levantamento, atrás apenas de Limpeza e Conservação (17,6%) e Saúde, Beleza e Bem-Estar (15,2%).
O ritmo do food service acelerou: no primeiro trimestre, o mesmo segmento havia crescido 10,4%. No acumulado do semestre, o setor todo somou R$ 149 bilhões, com alta de 9,7%. As alavancas apontadas pela ABF foram sorveterias e restaurantes de serviço rápido.
O dado que interessa a quem opera está no descompasso entre faturamento e loja aberta. O franchising fechou o trimestre com 207,2 mil operações ativas, 6.652 a mais que um ano antes, alta de 3,3%. Nos serviços de alimentação, a expansão de unidades foi de 2,8%, segundo o detalhamento publicado pela Exame. Faturamento subindo 13,7% com rede crescendo 2,8% significa uma coisa: quase todo o avanço veio de dentro das lojas que já existiam.
Franquias de alimentação ganharam em preço e em volume por unidade
Parte desse crescimento é repasse de preço. O IPCA de alimentação fora do domicílio acumulava 5,54% em doze meses na leitura de julho. Descontada essa inflação da tabela, ainda sobra crescimento de verdade em cada operação, vindo de mais pedidos, ticket maior ou mais horas vendendo.
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Isso muda a leitura do seu próprio mês. Se a sua casa fechou o trimestre com faturamento subindo abaixo de 6%, você está perdendo participação para o vizinho franqueado, mesmo tendo tido um mês que parece bom no extrato. A referência de comparação não é o seu ano passado nominal, é o seu ano passado corrigido.
Serviço rápido e sorvete puxam a conta, e isso tem endereço no cardápio
Sorveteria e restaurante de serviço rápido crescendo acima da média conta o que o consumidor está fazendo: refeição resolvida em pouco tempo, ticket previsível e compra por impulso na saída. São dois lugares onde a casa independente costuma deixar dinheiro na mesa, seja por não ter um item de execução rápida no almoço, seja por não oferecer sobremesa de forma ativa.
A ABF associa o desempenho à presença da marca em vários pontos da jornada de consumo, incluindo delivery e conveniência. Traduzido para a operação: a rede não ganhou porque a comida dela é melhor, ganhou porque estava disponível na hora em que a decisão foi tomada.
Abrir unidade nova ficou caro, e o setor mostra isso
O contraste entre faturamento e unidades também tem causa financeira. As reportagens sobre a pesquisa citam o custo do crédito e a pressão sobre insumos como travas do setor. Com juros no patamar atual, até rede grande está preferindo espremer resultado de loja madura a assinar contrato de ponto novo. Para o dono de uma ou duas casas, a conclusão é a mesma, e ela vale como economia de capital: o retorno mais barato do semestre está na operação que você já paga aluguel para manter aberta.
O que fazer com isso
- Compare o faturamento do seu trimestre com o mesmo período de 2025 corrigido por 5,54%. Abaixo disso, o crescimento é só inflação.
- Meça a venda média por loja, não o total. É nesse número que a franquia cresceu, e é nele que a comparação é honesta.
- Coloque um item de execução rápida no almoço e ofereça sobremesa em toda comanda por duas semanas, medindo ticket médio antes e depois.
- Adie a segunda unidade enquanto o crédito estiver caro e teste primeiro turno estendido ou nova faixa de horário na casa atual.
Para aprofundar
- Franquias de alimentação crescem 13,7% e ABF leva debate a BH
- Alimentação fora do lar bate recorde com R$ 62,9 bi no trimestre
- Alimentação fora do lar movimenta R$ 287,9 bi e o tráfego cai
Fontes
- Franquias reforçam presença no cotidiano dos brasileiros e crescem 9,3% no 2° trimestre (ABF)
- Franchising brasileiro cresce 9,3% no 2º trimestre (Times Brasil / CNBC)
- Franquias superam 207 mil operações no Brasil; veja os setores que mais cresceram (Exame)
- Franquias mantêm ritmo e crescem 2 dígitos no 1º tri de 2026 (ABF)
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