Alimentação fora do lar bate recorde com R$ 62,9 bi no trimestre
Pesquisa Crest mostra o maior gasto já registrado no setor, mas o avanço veio inteiro do ticket médio: o tráfego de clientes caiu 4% no mesmo período.
O consumidor brasileiro gastou R$ 62,9 bilhões em alimentação fora do lar no segundo trimestre de 2026, o maior valor já registrado pela pesquisa Crest, conduzida pela Gouvêa Inteligência e acompanhada pelo Instituto Foodservice Brasil. O número supera em 1% o mesmo trimestre de 2025, que também tinha sido recorde, com R$ 62,4 bilhões.
O recorde vem com um asterisco grande. Todo o avanço saiu do bolso de quem já estava comprando: o ticket médio individual subiu 5% no período, enquanto o tráfego, que é a contagem de visitas e pedidos, caiu 4%. No segundo trimestre de 2025, esse ticket estava em R$ 21,07 e o setor somava 3 bilhões de transações.
Há um segundo termômetro apontando na mesma direção. O Índice Abrasel-Stone, que acompanha o faturamento de bares e restaurantes pelas maquininhas, registrou alta de 4,2% nas vendas do segundo trimestre de 2026 e de 2,6% em junho, nono mês seguido acima do ano anterior. Os dois levantamentos medem dinheiro, não pessoa entrando pela porta.
O recorde da alimentação fora do lar veio do preço, não da gente
Crescer 1% em valor enquanto a inflação da alimentação fora do domicílio acumula 5,54% em 12 meses significa que o setor serviu menos comida por um dinheiro maior. Na prática, o recorde é nominal. Quem fechou o trimestre com faturamento parecido com o do ano passado perdeu volume real, mesmo sem enxergar isso no relatório do PDV.
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O teste é simples de fazer na sua casa: pegue a contagem de pedidos de abril a junho de 2026 e compare com abril a junho de 2025. Se o faturamento subiu e o número de pedidos caiu, você está no mesmo padrão do setor, sustentando receita no reajuste e não em cliente novo. Esse arranjo funciona até o dia em que o cliente troca a sua casa pela mais barata da esquina, e esse dia costuma chegar sem aviso.
Ticket maior e visita mais rara mudam o cardápio
Se o cliente vem menos vezes, cada visita precisa render mais sem parecer mais cara. Isso empurra a decisão para combinação, não para reajuste de tabela: bebida e sobremesa dentro de um preço fechado, porção em dois tamanhos, item que sai da cozinha usando a mesma mão de obra do prato principal. Subir linearmente o preço de todo o cardápio é o caminho que o setor já percorreu e que ajudou a produzir esta queda de 4% no tráfego.
Vale olhar também o que virou item de sacrifício. Numa conta que mudou de patamar, entrada e sobremesa são os primeiros a sair do pedido. Manter dois itens de valor baixo e margem alta na ponta do cardápio segura o ticket sem passar a sensação de que a casa ficou cara.
Penetração sobe 8% e a frequência cai
O dado que salva o trimestre é a penetração, que avançou 8% entre o segundo trimestre de 2025 e o de 2026. Mais brasileiros comeram fora em algum momento do período, mas cada um voltou menos vezes. Para quem opera, isso muda o diagnóstico: o problema não está em atrair, está em fazer voltar.
Casa que não tem lista própria de clientes entrega essa recompra para a plataforma decidir. Quem sabe quem pediu, o que pediu e há quantos dias sumiu consegue reagir a uma queda de frequência antes que ela apareça no faturamento do mês.
O que fazer com isso
- Compare a contagem de pedidos do segundo trimestre de 2026 com a do mesmo período de 2025, separada por canal. Faturamento estável com pedidos em queda é perda de volume disfarçada.
- Troque o reajuste linear de cardápio por duas ou três combinações de preço fechado, que sobem o ticket sem sinalizar aumento em cada item.
- Fixe dois itens de entrada com valor de até R$ 20 e margem acima da média da casa, para segurar o pedido completo de quem já cortou a sobremesa.
- Exporte a base de clientes do seu sistema e marque quem não compra há mais de 60 dias. Essa lista é o alvo mais barato que existe num mercado que perdeu 4% de tráfego.
Para aprofundar
- Alimentação fora do lar movimenta R$ 287,9 bi e o tráfego cai
- Franquias de alimentação crescem 13,7% no 2º trimestre
- Alimentação fora do lar fatura R$ 495 bi, mas cresce 0,92% real
Fontes
- Foodservice acelera no 2º trimestre e atinge patamar histórico (Mercado&Consumo)
- Vendas de bares e restaurantes crescem 4,2% no 2º trimestre e sobem 2,6% em junho (Mercado&Consumo)
- Vendas crescem 4,2% no segundo trimestre, aponta Índice Abrasel-Stone (Abrasel)
- Foodservice bate recorde de R$ 62,4 bi em faturamento (Mercado&Consumo)
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