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Donos de Restaurante Sábado, 19 de setembro de 2026

Legislação

Anvisa proíbe glitter comestível: o que muda na sua cozinha

Cinco marcas de glitter e folha de ouro saíram do mercado por conter plástico moído na fórmula, e o recolhimento chega até a bancada de quem serve.

Anvisa proíbe glitter comestível: o que muda na sua cozinha, imagem ilustrativa
Foto: Reprodução

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária suspendeu a fabricação, a comercialização, a distribuição, a propaganda e o uso dos glitters e das folhas de ouro de decoração da marca Morello, fabricados pela 3JG Indústria e Comércio de Artigos para Confeitaria, depois de identificar polímeros plásticos na composição. A decisão saiu no Diário Oficial da União em 16 de janeiro de 2026, pela Resolução RE nº 156, e alcança todos os lotes e todas as cores dos produtos Folha de Ouro para Decoração e Pó/Brilho (glitter) para Decoração.

A medida não parou na proibição de vender: a agência determinou o recolhimento do que já estava distribuído e mandou descartar ou devolver o que já foi comprado. Os itens circulavam em Shopee, Mercado Livre, Amazon e Instagram anunciados como ingrediente culinário.

E não foi caso isolado: em 13 de novembro de 2025, pela Resolução RE nº 4.526, a Anvisa já havia suspendido glitters de outras quatro marcas, Iceberg Chef, Jeni Joni, Jady Confeitos e Glitz, pelo mesmo motivo. Nos laudos aparecia polipropileno micronizado, que é plástico moído. São cinco marcas fora do mercado em pouco mais de dois meses.

Por que a Anvisa tirou o glitter comestível do mercado

O problema não está na cor, está no material. O glitter decorativo comum é feito de partículas plásticas revestidas de corante, e a ingestão de plástico é vedada no Brasil desde o Decreto-Lei nº 986, de 1969, a norma que a resolução usa como base. Fábio Rodrigues, professor do Instituto de Química da USP, resume o ponto: mesmo sem toxicidade comprovada, esses plásticos e corantes não passaram por aprovação de segurança para consumo humano.

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Há um detalhe que pega justamente quem opera: parte desses produtos traz no rótulo a indicação de não alimentício e mesmo assim é vendida, inclusive por marketplace, para cobrir bolo, borda de taça, drink e sobremesa. Esse rótulo protege o fabricante, não protege a casa que serve o prato ao cliente.

O que a cozinha pode usar no lugar do glitter comestível

Só entra em alimento o brilho fabricado com ingrediente de grau alimentício, açúcar, amido ou gelatina, colorido com corante autorizado pela Anvisa. Na compra, a checagem é de rótulo: precisa dizer que é próprio para consumo humano e trazer a identificação sanitária do fabricante. Glitter biodegradável, o chamado eco glitter, resolve questão ambiental e não resolve nada de segurança alimentar, porque biodegradável não quer dizer comestível.

Vale conferir também o estoque já aberto: a suspensão alcança todos os lotes, então pote antigo, comprado antes da decisão, é exatamente o alvo do recolhimento.

Quem responde se o cliente comer

O fabricante foi autuado, mas quem entrega o prato é o estabelecimento. A fiscalização de rotina é da vigilância sanitária municipal, e a Lei nº 6.437, de 1977, que define as infrações sanitárias e as sanções, prevê desde advertência e apreensão do produto até interdição e multa. Um pote de glitter irregular na bancada, encontrado em inspeção, é infração ainda que ninguém tenha adoecido.

Foto e vídeo antigos de sobremesa ou drink com brilho continuam no perfil da casa e no cardápio digital, e é por eles que a fiscalização, ou um cliente atento, chega ao produto.

O que fazer com isso

  • Vasculhe hoje bancada, estoque e gaveta de confeitaria atrás de glitter e folha de ouro das marcas Morello, Iceberg Chef, Jeni Joni, Jady Confeitos e Glitz, e separe tudo para descarte.
  • Leia o rótulo de cada brilho que sobrar: sem a informação de próprio para consumo humano e sem identificação sanitária do fabricante, não volta para a produção.
  • Cobre do fornecedor a ficha técnica e a nota de cada item decorativo, e troque por glitter de grau alimentício com corante autorizado.
  • Revise cardápio digital, fotos e posts com sobremesa ou drink brilhante, retirando o que anuncia um produto que a casa não pode mais usar.

Para aprofundar

Fontes

Anvisa · Exame · CNN · Usp · ND · Planalto

V
Vera Antunes · editora de Regulação
· atualizada em 15 de setembro

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