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Donos de Restaurante Sábado, 19 de setembro de 2026

Legislação

Baratas em restaurante: como a Anvisa decide a interdição

Quatro casas de uma praça de alimentação de aeroporto ficaram fechadas até provar que a praga acabou. A régua vale igual para a sua.

Baratas em restaurante: como a Anvisa decide a interdição, imagem ilustrativa
Foto: Divulgação

Uma inspeção da Anvisa na praça de alimentação do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), terminou com quatro restaurantes interditados depois que a equipe encontrou baratas nos estabelecimentos. O caso é de novembro de 2023, e a régua aplicada ali continua valendo igual para o bar de esquina, a pizzaria de bairro e a padaria.

As quatro operações só poderiam reabrir depois de comprovar que a infestação tinha sido eliminada, sem data marcada no papel, dependendo de o operador juntar tratamento, laudo e evidência. A concessionária do aeroporto também foi notificada e teve cinco dias para prestar esclarecimentos.

O tamanho do risco financeiro está na Lei 6.437/1977, que rege a infração sanitária no país. A multa vai de R$ 2.000 nas infrações leves a R$ 1.500.000 nas gravíssimas, dobra na reincidência e pode vir somada à interdição parcial ou total do estabelecimento. O valor é graduado pela capacidade econômica do infrator, então a casa pequena não paga o teto, mas também não sai ilesa.

O que leva a Anvisa à interdição de um restaurante com baratas

A norma que o fiscal usa é a RDC 216/2004. O item 4.3.1 exige que estrutura, instalações, equipamentos, móveis e utensílios estejam livres de vetores e pragas urbanas, com ações eficazes e contínuas para impedir a presença delas. Não é meta de esforço, é resultado observável no dia da visita.

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Quando a prevenção falha, o item 4.3.2 só admite controle químico feito por empresa especializada, com produtos regularizados pelo Ministério da Saúde. Dedetização improvisada pela equipe da cozinha não conta como controle e ainda vira infração nova. O item 4.3.3 cobra procedimentos antes e depois do tratamento, com higienização de equipamentos e utensílios para remover resíduo.

Há ainda o item 4.1.4, o mais barato de resolver e o mais esquecido: as aberturas externas das áreas de armazenamento e preparação precisam de telas milimetradas removíveis para limpeza. Tela furada em janela de estoque é achado de dois minutos.

A conta de ficar fechado é maior que a multa

Interdição não tem data de saída. Ela dura enquanto a casa não provar que resolveu, e cada dia parado carrega folha integral, perecível perdido, entregador ocioso e loja apagada nos aplicativos, o que derruba o posicionamento por semanas depois da reabertura.

Quem opera dentro de shopping, aeroporto, hospital ou praça de alimentação tem uma camada a mais. O contrato de cessão costuma trazer cláusula sanitária, e o administrador do espaço responde junto, o que o torna rápido em aplicar penalidade. A praga é do prédio, não da loja: infestação no vizinho, na lixeira comum ou na caixa de gordura coletiva chega na sua cozinha, e a interdição sai no seu CNPJ.

A trilha de papel que segura a fiscalização

O que separa a advertência da interdição costuma ser prova. Ordem de serviço da empresa de controle de pragas com a licença sanitária dela, laudo com produto e concentração, procedimento padronizado de pragas, cronograma de higienização e registro de treinamento formam o pacote que o fiscal aceita ver na hora.

Esse conjunto deve mudar em breve: a Anvisa abriu em 2025 a revisão da RDC 216/2004, com análise de impacto regulatório e oficina de validação das alternativas. Quem já mantém o registro em dia atravessa a troca de norma sem susto.

O que fazer com isso

  • Peça hoje à sua empresa de dedetização a cópia da licença sanitária dela e o laudo do último tratamento, e guarde os dois num arquivo físico na casa.
  • Ande pela cozinha procurando o item 4.1.4: tela nas aberturas externas, ralo com fecho, porta com vedação na soleira e passagem de tubulação sem fresta.
  • Combine com o administrador do shopping ou da praça de alimentação um calendário de tratamento das áreas comuns por escrito, já que a infestação do vizinho fecha a sua loja.
  • Monte a pasta de boas práticas com procedimento de pragas, cronograma de higienização e lista de treinamento, e deixe perto do caixa.

Para aprofundar

Fontes

V
Vera Antunes · editora de Regulação
· atualizada em 15 de setembro

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