Reforma tributária: contador do seu restaurante tem plano?
Sondagem da Omie mostra 56% dos escritórios contábeis ainda sem plano de ação, e a nota fiscal do regime normal já é rejeitada por erro de IBS e CBS desde 3 de agosto.
A virada de chave tributária que chega em 2027 está sendo preparada agora, e boa parte de quem deveria preparar ainda não saiu do lugar. A Sondagem do Setor Contábil da Omie, feita com 149 profissionais de contabilidade entre março e maio de 2026, aponta que 56% seguem na fase inicial: estudam, consomem conteúdo, mas não têm plano de ação estruturado. Apenas 5% dizem ter uma estratégia montada.
Na mesma pesquisa, 68% dos escritórios afirmam que já foram procurados por clientes com dúvidas sobre a reforma. A edição anterior da sondagem, com 448 profissionais, já havia registrado que mais de 60% não se sentiam prontos para as mudanças, e que mais da metade esperava impacto em 90% ou mais da carteira de clientes.
Para quem toca bar, restaurante, pizzaria, padaria ou operação de delivery, isso deixou de ser assunto de escritório. Virou calendário: desde 3 de agosto, nota fiscal emitida por empresa do regime normal com os campos de IBS e CBS errados é rejeitada automaticamente pelo sistema da Receita Federal e das secretarias estaduais.
Nota rejeitada trava o caixa no mesmo dia
O preenchimento não é um campo só. Cada item da nota precisa de um CST, de três dígitos, e de um cClassTrib, o código de classificação tributária que amarra a operação ao artigo da lei. São mais de 150 códigos possíveis, e a incompatibilidade entre os dois já derruba o documento. Sobre essa base incidem as alíquotas de teste de 2026: 0,1% de IBS e 0,9% de CBS, que este ano não são recolhidas, mas precisam estar na nota.
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O valor do imposto é simbólico. O efeito de errar, não. Nota que não passa é venda que não fecha, insumo que não sai do fornecedor e pagamento que não roda. Levantamento da Exame com especialistas cita ainda multas de R$ 4.000 por período de apuração, que sobem para R$ 6.000 quando há notificação prévia.
Simples Nacional ganhou tempo, não ganhou folga
Se a sua casa está no Simples Nacional, o preenchimento obrigatório só começa em 4 de janeiro de 2027. É um fôlego, e é enganoso. Os seus fornecedores de proteína, embalagem, bebida e hortifruti que estão em lucro real ou presumido já emitem no formato novo desde agosto. A nota deles que der problema atrasa a sua entrega, não a deles.
Vale olhar também a ponta dos recebíveis: marketplaces de delivery e clientes corporativos que compram no CNPJ vão exigir documento fiscal íntegro para pagar. Em 2027, quando a cobrança começa de fato, quem chegar sem processo testado vai aprender no mês de maior movimento.
O que o contador do restaurante precisa acertar na reforma tributária
Pergunte de forma direta e peça resposta escrita. Quem já classificou o cardápio item a item tem a lista pronta. Quem não tem, ainda está na fase que a sondagem descreve. As três perguntas que separam um do outro: qual CST e qual cClassTrib se aplicam a cada grupo do seu cardápio, qual o cronograma da sua casa até janeiro de 2027, e se o seu sistema de PDV e emissão já está atualizado para os campos novos.
O que fazer com isso
- Cobre do escritório, por e-mail, o plano de ação com datas até janeiro de 2027 e a classificação tributária dos seus grupos de produto.
- Cheque com o fornecedor do PDV se a emissão já contempla CST e cClassTrib e se a atualização está instalada na sua loja, não só disponível.
- Peça a um fornecedor do regime normal uma nota recente e confira se os campos de IBS e CBS vieram preenchidos. É o teste mais barato de quem está pronto na sua cadeia.
- Reserve orçamento e agenda para o segundo semestre: sistema, treinamento de quem emite nota e uma rodada de conferência antes de 2027.
Para aprofundar
- Guia da reforma tributária para restaurantes
- Reforma tributária 2026: o que o restaurante põe na nota agora
- Nanoempreendedor na reforma tributária: risco para o restaurante
Fontes
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