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Donos de Restaurante Sábado, 19 de setembro de 2026

Mercado

Franquias de alimentação crescem 13,7% e ABF leva debate a BH

Encontro regional em Belo Horizonte discutiu os números do franchising num trimestre em que o food service cresceu acima da média do setor

Franquias de alimentação crescem 13,7% e ABF leva debate a BH, imagem ilustrativa
Foto: Reprodução

As franquias de alimentação faturaram 13,7% a mais no segundo trimestre de 2026 do que no mesmo período de 2025, segundo a pesquisa trimestral de desempenho da Associação Brasileira de Franchising (ABF). O franchising como um todo cresceu 9,3% e movimentou R$ 76,3 bilhões entre abril e junho. O food service ficou em terceiro lugar entre os segmentos que mais avançaram, atrás de Limpeza e Conservação (17,6%) e de Saúde, Beleza e Bem-Estar (15,2%).

Foi com esse pano de fundo que a ABF reuniu empresários, franqueadores, franqueados e especialistas de Minas Gerais e do Espírito Santo em Belo Horizonte, no dia 2 de setembro. A pauta passou pelos números do setor, pelos principais pontos do pós-Franchising Summit, pelo caso da empresa anfitriã, a Seu Cliente Oculto, e por um debate aberto entre os participantes. A entidade não informou quantas pessoas estiveram no encontro.

“Os encontros regionais são fundamentais para aproximar a ABF dos empreendedores e fortalecer o franchising fora dos grandes centros”, disse Antonio Bortoletto, diretor regional da ABF para Minas Gerais e Espírito Santo.

Por que as franquias de alimentação crescem com juro alto

Segundo a ABF, o resultado veio num ambiente de juros altos, inflação pressionada, crédito restrito e famílias endividadas. Mesmo assim, o food service franqueado avançou, puxado por sorveterias e restaurantes de serviço rápido. A leitura da entidade é que a busca por conveniência, preço competitivo e refeição prática para o dia a dia sustentou a demanda. O presidente da ABF, Tom Moreira Leite, afirmou que, mesmo com o orçamento apertado, as famílias seguem usando serviços ligados a conveniência e a necessidades recorrentes.

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Para o dono de restaurante independente, o dado tem duas leituras. A primeira é que o cliente não parou de comer fora, mas está escolhendo com mais cuidado onde gasta, e as redes com cardápio enxuto, preço previsível e atendimento rápido estão ganhando essa escolha. A segunda é que quem trabalha na mesma faixa de tíquete, como lanche, sorvete e prato executivo, disputa cliente com operações que compram em escala e têm marketing centralizado.

Mais unidades abertas e ritmo mais lento

O franchising fechou o trimestre com mais de 207,2 mil unidades em operação, 6.652 a mais que um ano antes, e cerca de 1,803 milhão de empregos diretos. No semestre, o faturamento chegou a R$ 149 bilhões, alta de 9,7%. O ritmo, porém, perdeu força: no primeiro trimestre, a alta tinha sido de 10,1%, de acordo com os números da pesquisa publicados pelo TrendsCE. Para o ano, a ABF projeta crescimento entre 8% e 10%.

Nem todo negócio de comida foi bem. O segmento Alimentação Comercialização, que a pesquisa acompanha separado do food service, teve queda de 3,8% no faturamento, apesar de ter aumentado em 2,2% o número de operações. Mais pontos de venda dividindo uma receita menor é o sinal clássico de mercado apertado, e vale como alerta para quem pensa em abrir uma segunda unidade só porque o setor, na média, está crescendo.

O que fazer com isso

  • Compare seu cardápio e seu tíquete médio com os das redes de serviço rápido e sorveterias que abriram perto da sua casa no último ano. É contra elas que o cliente está medindo você.
  • Cronometre o tempo entre pedido e entrega, no salão e no delivery. Conveniência foi o motor do crescimento apontado pela ABF e é onde a operação independente mais perde para as redes.
  • Monte um prato ou combo de preço fechado para o dia a dia, com a margem calculada antes de divulgar, para disputar a refeição prática que está sustentando o setor.
  • Avalie com números qualquer proposta de virar franqueado ou de franquear a sua marca: o setor desacelerou do primeiro para o segundo trimestre e o crédito segue caro.

Para aprofundar

Fontes

ABF · Central · TrendsCE · Novo

T
Tomás Ferraz · editor de Mercado
· atualizada em 15 de setembro

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