Alimentação fora do lar movimenta R$ 287,9 bi e o tráfego cai
Faturamento do setor subiu em 2025, mas o número de clientes na porta caiu 5% no terceiro trimestre. O que cresceu foi o preço.
O setor de alimentação fora do lar movimentou R$ 287,9 bilhões no Brasil em 2025, número do estudo ID Food Service, da Wise Sales em parceria com a Abia (Associação Brasileira da Indústria de Alimentos), divulgado pelo Painel S.A., da Folha de S.Paulo. É a conta da indústria: mede quanto de alimento e bebida a indústria vendeu para bares, restaurantes, padarias, lanchonetes e cozinhas industriais, e não quanto o consumidor gastou no balcão.
A projeção que a Abia levou ao 18º Congresso de Food Service, em novembro de 2025, era de R$ 287,1 bilhões, com alta nominal de 10% sobre 2024 e crescimento real de 2,5%. O canal já responde por 28,3% de tudo o que a indústria de alimentos produz no país.
O detalhe que muda a leitura está debaixo do número. No terceiro trimestre de 2025, o tráfego nas casas caiu 5% enquanto o ticket médio subiu 7%, com a inflação da alimentação fora do lar acumulando 8,24% no período. O setor cresceu em reais e encolheu em gente na porta.
Na alimentação fora do lar, quem cresceu foi o preço
Tráfego 5% menor com ticket 7% maior significa que o faturamento fechou no azul porque cada cliente pagou mais, não porque apareceram mais clientes. E como a inflação do setor foi de 8,24%, o aumento de 7% no ticket médio ainda ficou abaixo do custo. Na prática, quem repassou 7% perdeu margem no caminho, e quem não repassou nada perdeu duas vezes.
Publicidade
Vale conferir os seus próprios números antes de comemorar o ano. Se o faturamento da casa subiu menos de 8% em 2025, o crescimento foi negativo em poder de compra, mesmo com a linha de cima maior no relatório.
Um mercado de 1,37 milhão de concorrentes, quase todos micro
A Abrasel contabiliza 1,37 milhão de estabelecimentos ativos no país, 4,9 milhões de empregados e R$ 455 bilhões movimentados em 2024, o equivalente a 3,6% do PIB. Dos CNPJs ativos no setor, 65% são MEI e 94% se enquadram como microempresa, segundo dados do governo federal de agosto de 2024.
Isso desenha o concorrente real da esquina: operação de uma ou duas pessoas, custo fixo baixo, folha enxuta ou inexistente e preço que aguenta ficar abaixo do seu por muito mais tempo. Brigar por preço com esse perfil é briga perdida. O terreno em que a casa formalizada ganha é constância, entrega no prazo, cardápio que não falta e cliente que volta.
O outro lado do mesmo dado é a fragilidade da cadeia. A Abrasel aponta que 41% dos bares e restaurantes registram pagamentos em atraso. Fornecedor com recebível pendurado encurta prazo e endurece condição, e isso chega no seu pedido de compra antes de chegar em qualquer manchete.
O que fazer com isso
- Compare o seu faturamento de 2025 com a inflação de 8,24% do setor. Abaixo disso, a casa encolheu em termos reais e o preço precisa de revisão, não o discurso.
- Recalcule a ficha técnica dos dez itens mais vendidos com o custo de compra de hoje. Ticket que sobe 7% em cima de insumo que sobe mais que isso come a margem em silêncio.
- Negocie prazo e condição com o fornecedor agora, enquanto o seu pagamento está em dia. Numa cadeia em que 41% atrasam, quem paga certo tem moeda de troca e deve usá-la.
- Troque desconto por frequência. Com menos gente circulando, vale mais fazer o cliente atual voltar uma vez a mais no mês do que baixar preço para disputar com o MEI da esquina.
Para aprofundar
- Alimentação fora do lar bate recorde com R$ 62,9 bi no trimestre
- Franquias de alimentação crescem 13,7% no 2º trimestre
- Franquias de alimentação crescem 13,7% e ABF leva debate a BH
Fontes
Agrolink · Portaldoagronegocio · Mundo · Wise · Folha
Publicidade





