Metade prevê alta de preços com IBS e CBS; restaurante decide já
Pesquisa do Banco Central com 349 empresas mostra 50,1% esperando repasse ao preço final, e a janela para escolher o regime de 2027 abre em 1º de setembro
Metade das empresas brasileiras já trabalha com a hipótese de empurrar a reforma tributária para o preço da etiqueta. A pesquisa Firmus, do Banco Central, divulgada em 26 de junho, ouviu 349 empresas não financeiras entre 11 e 29 de maio: 50,1% esperam aumento nos preços de venda com a troca do sistema atual pelo IBS e pela CBS. Apenas 2% preveem redução, 28,7% não esperam mudança nenhuma e 19,2% dizem que ainda é cedo para avaliar.
O levantamento mostra de onde vem a conta: 53,6% projetam carga tributária maior e 59,9% esperam custo de conformidade maior, ou seja, mais dinheiro em sistema, contador, emissão e conferência de nota.
Para quem toca bar, restaurante ou delivery, o número vem com prazo colado. A partir de 1º de setembro abre a janela em que o estabelecimento escolhe como vai recolher IBS e CBS no primeiro semestre de 2027. Ela fecha em 30 de setembro.
Por que a alta de preços com IBS e CBS aparece na conta
IBS e CBS funcionam por crédito: a casa abate o imposto pago na compra do que entra. O problema está na composição de custo da alimentação. Boa parte do que o restaurante compra vem de fornecedor no Simples Nacional e de produtor rural, que geram crédito limitado ou nenhum. E a folha de pagamento, o item mais pesado da operação depois da matéria-prima, não gera crédito algum.
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Bares e restaurantes têm redutor de 40% na alíquota, o que segura parte do golpe. Mas o redutor incide sobre a alíquota de saída, não sobre a falta de crédito na entrada. Por isso a conta de cada casa é diferente da média do setor: quem compra de distribuidor no lucro real chega mais leve à virada do que quem se abastece em atacado de bairro.
A janela de setembro decide o imposto de 2027
Quem está no Simples Nacional tem duas rotas. A primeira é não fazer nada: IBS e CBS continuam dentro do DAS, calculados pela tabela do anexo e da faixa de faturamento. A segunda é o regime híbrido: a empresa fica no Simples para IRPJ, CSLL, CPP e IPI, mas apura IBS e CBS pelo regime regular, fora da guia única.
A diferença prática é o crédito que o cliente leva. Casa que vende quase só para consumidor final ganha pouco com o híbrido e herda a obrigação acessória inteira. Já quem fatura refeição corporativa, convênio, evento ou marmita para CNPJ perde negócio se o cliente não se creditar do valor cheio.
A opção feita em setembro vale de janeiro a junho de 2027 e pode ser cancelada até 30 de novembro de 2026. Para o segundo semestre de 2027 há uma nova janela, em março.
O setor chega despreparado à virada
Pesquisa da Abrasel com 1.480 empresários de alimentação fora do lar, feita entre 20 e 28 de julho, mostra 60,9% se declarando não preparados: 43,9% pouco preparados e 17% nada preparados. Só 22,9% se dizem preparados ou muito preparados.
Entre os 71,3% que estão no Simples Nacional, apenas 10,6% afirmam estar se preparando ativamente para essa escolha de regime. As maiores dúvidas são formação de preço e margem, citada por 49,4%, e o funcionamento básico de IBS e CBS, por 48,1%. Mais da metade, 54,2%, espera efeito negativo ou muito negativo no setor.
O que fazer com isso
- Marque com o contador ainda nesta semana uma simulação lado a lado, DAS cheio contra regime híbrido, com o faturamento real dos últimos doze meses. A janela fecha em 30 de setembro e quem não decide fica no padrão.
- Levante quanto do seu faturamento sai com nota para CNPJ, somando corporativo, convênio, evento e marmita. É esse percentual que define se o híbrido faz sentido.
- Refaça a ficha técnica dos dez pratos que mais vendem separando o que gera crédito do que não gera, antes de mexer em preço de cardápio.
- Anote 30 de novembro de 2026 na agenda: quem optar pelo híbrido em setembro tem até essa data para voltar atrás.
Para aprofundar
- Guia da reforma tributária para restaurantes
- IBS e CBS na nota fiscal: o que emitir a partir de segunda
- NFC-e com IBS e CBS: o que muda no caixa do restaurante
Fontes
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