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Donos de Restaurante Sábado, 19 de setembro de 2026

Mercado

Restaurantes de serviço rápido crescem 22,6% e mudam o food service

Enquanto o setor brasileiro recuou 3,4% em 2025, o formato de balcão rápido avançou dois dígitos; o dado do IFB mostra por quê: menos visitas, ticket maior.

Restaurantes de serviço rápido crescem 22,6% e mudam o food service, imagem ilustrativa
Foto: Reprodução

O modelo de restaurantes de serviço rápido cresceu 22,6% no Brasil em 2025, no mesmo ano em que o food service brasileiro como um todo registrou retração de 3,4%. Os dados são de levantamento da Deloitte divulgado pela plataforma TUTTOFOOD, que calcula em 84,8 bilhões de euros o volume movimentado pelo setor no país. No mundo, o food service cresceu 2,2% e chegou a cerca de 2,98 trilhões de euros.

O número brasileiro que sai do caixa aponta na mesma direção. O Instituto Foodservice Brasil, com dados CREST, registrou R$ 62,9 bilhões de gasto no setor no segundo trimestre de 2026, alta de 1% sobre igual período de 2025. O avanço veio inteiro do ticket médio individual, que subiu 5%, contra queda de 4% no tráfego de consumidores. No mesmo levantamento do ano anterior, o ticket médio estava em R$ 21,07.

Traduzindo: menos gente entrando pela porta, cada uma gastando mais. Quem cresce nesse cenário é a operação que resolve rápido, custa pouco por visita e está onde o cliente já está olhando.

Por que os restaurantes de serviço rápido avançam com o setor em queda

O cliente que corta frequência não corta o hábito de comer fora, ele troca de formato. Sai do almoço sentado de R$ 60 e vai para o combo resolvido em quinze minutos. Conveniência, custo por refeição e pedido digital são os três eixos que a pesquisa aponta como centro dessa virada.

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Isso não é privilégio de rede grande. Uma pizzaria que monta uma linha de fatia no balcão, uma padaria que embala o almoço para viagem e uma lanchonete que corta o tempo de fila estão jogando o mesmo jogo. O que muda é o desenho da operação, não o tamanho da placa.

Menos visitas e ticket maior mudam a conta da sua casa

Se o tráfego cai 4% e o gasto por pessoa sobe 5%, planejar receita por volume de clientes é planejar errado. A conta que importa passa a ser margem por pedido e velocidade de giro na hora de pico.

Vale checar duas coisas ainda esta semana. Primeiro, quantos itens do seu cardápio realmente saem: cardápio inchado atrasa a cozinha e derruba o giro. Segundo, qual o seu tempo médio do pedido até a entrega no balcão, porque é ele que define quantos clientes cabem no seu horário de pico.

Embalagem e digitalização são onde o dinheiro está indo

O levantamento da Deloitte mostra 41% dos operadores planejando ampliar espaço dedicado a delivery e retirada, e 34% dos restaurantes de serviço rápido criando unidades exclusivas para entrega. Do lado do consumidor, 90% dizem que pediriam mais variedade de pratos se a embalagem fosse adequada, e 53% pagariam mais por isso.

Tecnologia aparece com ressalva importante. Entre os operadores que adotaram alguma ferramenta para ganhar produtividade, 74% do total, apenas 28% relataram ganho direto de rentabilidade. Comprar sistema sem mudar processo continua sendo dinheiro parado.

O que fazer com isso

  • Meça o tempo entre o pedido e a entrega no balcão nos três dias mais cheios da semana e compare com o número de pedidos perdidos no mesmo horário.
  • Corte os itens de cardápio que não pagam o espaço que ocupam na cozinha; menos SKU é mais giro no pico.
  • Teste uma embalagem melhor num item de maior margem antes de trocar a linha inteira, e acompanhe se o ticket do pedido sobe.
  • Cobre resultado da ferramenta que você já paga: se o sistema não encurtou fila nem reduziu erro de pedido em 30 dias, o problema é o processo, não a licença.

Para aprofundar

Fontes

2A+ · Botucatu · Mercado&Consumo · ABAD · Giro

T
Tomás Ferraz · editor de Mercado
· atualizada em 15 de setembro

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