Efeito Ozempic: o que muda no caixa dos restaurantes agora
Pesquisa da Abrasel aponta que 61% dos operadores já veem mudança no pedido, e sobremesa e bebida alcoólica são os primeiros itens a sumir da conta.
Seis em cada dez donos de bar e restaurante no Brasil já percebem uma mudança concreta no que o cliente pede, e associam essa mudança ao uso dos remédios da classe GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro. O número vem de levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel): 61% dos empresários ouvidos identificam alteração no comportamento de consumo dentro da própria casa.
O detalhe que interessa a quem opera está na composição. Entre os respondentes, 65% notaram mudança nos pedidos de sobremesa, e um em cada cinco relatou queda forte nesse item. Outros 56% viram alteração no volume de pratos principais e 65% apontaram mudança em bebidas alcoólicas. Do outro lado da conta, 53% registraram crescimento consistente em bebidas não alcoólicas, 64% viram alta em miniporções e o mesmo percentual notou mais gente dividindo prato. Mais de 70% dizem que as escolhas leves ficaram mais frequentes. E quatro em cada dez afirmam que a redução no volume consumido não está sendo compensada por outro item da conta.
Do lado do consumidor, o movimento aparece ainda mais forte. Pesquisa da consultoria Galunion feita em abril de 2025 mostrou que 91% dos usuários brasileiros de GLP-1 relataram alguma mudança nos hábitos de alimentação fora de casa.
O efeito Ozempic chega aos restaurantes pelo tíquete, não pelo fluxo
A leitura dos dirigentes do setor é que ninguém parou de sair para comer. “O consumidor continua frequentando bares e restaurantes, porém com escolhas mais moderadas”, disse Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel, ao comentar o levantamento. A associação classifica as mudanças percebidas como leves ou moderadas na maioria dos casos, o que aponta para uma adaptação gradual, não para uma ruptura.
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Na prática da casa, isso significa que o indicador a vigiar não é a contagem de comandas, e sim o valor médio por comanda e o mix de itens dentro dela. Se você acompanha só faturamento total, a mudança passa despercebida por meses até virar aperto de margem.
Sobremesa e bebida: onde a margem escorre primeiro
Sobremesa e bebida alcoólica costumam ser os itens de maior margem percentual do cardápio, e são justamente os dois que a pesquisa aponta como mais afetados. Perder 10% do faturamento nesses itens dói mais do que perder 10% em prato principal, porque a margem bruta que some é maior.
O compartilhamento de prato acrescenta um segundo efeito, esse sobre o giro: duas pessoas ocupando uma mesa com um pedido a mais de tempo médio significa menos rodadas de mesa no mesmo turno. Em casa pequena, com poucas mesas, é a variável que mais mexe no resultado do fim de semana.
O que dá para testar no cardápio sem virar comida de dieta
Lá fora, as grandes redes já responderam com produto, não com discurso. A Chipotle lançou combinações de apoio a usuários de GLP-1 com até 81 gramas de proteína, o Shake Shack criou uma linha de menor caloria e o McDonald’s reposicionou o Egg McMuffin destacando os 17 gramas de proteína.
A fundadora da Galunion, Simone Galante, resume a lógica: o cliente permanece, o que muda é a escolha. A saída aponta para redesenhar o que já se vende, com porção menor, proteína em evidência e opção não alcoólica bem precificada, em vez de abrir uma seção de comida diet no cardápio.
O que fazer com isso
- Compare, por turno, o tíquete médio e a taxa de anexo de sobremesa e bebida dos últimos três meses com o mesmo período de 2025. Sem esse corte, o efeito passa despercebido.
- Crie uma meia porção com preço acima da metade do valor cheio nos dois pratos mais pedidos. Miniporção mal precificada derruba margem em vez de proteger.
- Reforce a carta de não alcoólicos com um drinque autoral sem álcool cobrado como coquetel. É o item que cresce e paga a bebida que deixou de sair.
- Reescreva a descrição dos pratos que já são ricos em proteína informando a gramagem. Custa nada e captura quem escolhe por esse critério.
Fontes
- Efeito Ozempic: 61% dos bares e restaurantes identificam redução no consumo (Correio Braziliense, Capital S/A)
- Ozempic e Mounjaro mudam consumo: 61% de bares e restaurantes já sentem impacto, aponta Abrasel (Setor Saúde)
- 61% dos bares e restaurantes já notam mudança no hábito de consumo dos clientes (Folha de Valinhos)
- O efeito Ozempic nos restaurantes: menos fritura, mais proteína e tíquetes menores (Exame)
- 61% dos restaurantes identificam mudanças no consumo pelos remédios para emagrecimento (Abrasel)
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