ERP multiloja: o que muda na gestão de restaurantes com filiais
87% das redes de franquia já têm dono com mais de uma unidade, e a planilha que servia na primeira loja para de servir na segunda
Operar mais de um endereço deixou de ser exceção no food service brasileiro. A pesquisa mais recente da ABF sobre o tema, feita em 2024, mostra que 87% das redes de franquia já contam com multifranqueados, o operador que toca duas ou mais unidades, contra 83% em 2022. Esse grupo responde por 30% de todas as operações do franchising no país, e a participação média deles dentro de cada rede subiu de 19,5% para 21,6%.
O parque segue crescendo. O franchising fechou o primeiro trimestre de 2026 com 204.908 operações em atividade, 6.178 a mais que um ano antes, e o segmento de alimentação em comercialização e distribuição avançou 22% no período, o maior salto entre todos os setores medidos pela associação.
O gargalo aparece quando a segunda casa abre e a gestão continua sendo a da primeira: uma planilha por unidade, um caixa que ninguém cruza, um estoque que só o gerente daquela cozinha conhece. É o problema que os fornecedores de software chamam de gestão multiloja, tema de um material publicado pela Omie sobre ERP com controle por filial.
O que um ERP multiloja muda em restaurantes com filiais
Numa operação com filiais, cada loja costuma ter CNPJ próprio. Sem um sistema que enxergue os dois ao mesmo tempo, o dono só descobre o resultado consolidado quando a contabilidade fecha o mês, 30 ou 40 dias depois do fato. Com controle por filial, o mesmo painel mostra faturamento, contas a pagar, emissão de nota e estoque de cada endereço, e a comparação entre as lojas passa a ser diária.
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Isso mexe em três decisões concretas. Compra: o volume somado das unidades muda o poder de negociação com o fornecedor de queijo, farinha e embalagem. Produção: a ficha técnica deixa de ser um papel colado na parede de uma cozinha e passa a ser a mesma receita nas duas. Cobrança de resultado: a loja que está com o CMV dois pontos acima da irmã aparece na tela, e não na intuição do dono.
O que o sistema não resolve sozinho
Automação ainda não é maioria no setor. Levantamento sobre gestão de restaurantes publicado neste ano aponta que 38% dos estabelecimentos brasileiros usam algum nível de automação, 21% combinam atendimento humano com bots e 17% já operam com alguma camada de inteligência artificial.
Software não conserta processo que não existe. Se a ficha técnica não está escrita, o estoque por filial vai apontar diferença sem explicar de onde ela veio. Se o caixa da segunda loja não é conferido todo dia, o consolidado vai somar erro com erro e devolver um número bonito e falso.
Há também o custo de entrada, que raramente está na proposta comercial: cadastro de produtos, plano de contas, ficha técnica de cada item e treinamento das duas equipes. Quem tenta virar a chave em semana de pico costuma voltar para a planilha no mês seguinte.
O que fazer com isso
- Compare o CMV das suas unidades no mesmo período, item a item, antes de olhar qualquer sistema. Se a diferença entre elas passa de dois pontos percentuais sem explicação, o problema é processo, não software.
- Exija na demonstração que o fornecedor mostre o painel com dois CNPJs cadastrados e o relatório consolidado rodando. Sistema que só abre uma loja por vez faz você digitar duas vezes.
- Padronize a ficha técnica e o cadastro de produtos com os mesmos códigos nas duas casas antes da implantação. Cadastro sujo entra no sistema e sai como relatório sujo.
- Marque a virada para a semana mais fraca do mês e mantenha o controle antigo rodando em paralelo por 30 dias, até bater o fechamento dos dois.
Fontes
- Presença de multifranqueados atinge 87% das redes, revela mais recente pesquisa da ABF (ABF)
- Franquias mantêm ritmo e crescem 2 dígitos no 1º tri de 2026 (ABF)
- Gestão de restaurantes: tecnologia e dados redefinem a operação do foodservice em 2026 (Central do Varejo)
- ERP para Filiais: Eficiência na Gestão Multiloja (Omie)
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