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Donos de Restaurante Sábado, 19 de setembro de 2026

Equipamentos

Incêndio em fritadeira de restaurante: mais um caso em 3 semanas

Depois de São Miguel do Oeste e Juiz de Fora, a fumaça saiu de uma cozinha do Portão, em Curitiba. O padrão se repete e a proteção certa custa menos que um dia fechado.

Incêndio em fritadeira de restaurante: mais um caso em 3 semanas, imagem ilustrativa
Foto: Reprodução

Um incêndio em fritadeira de restaurante no bairro Portão, em Curitiba, mobilizou vizinhos e virou notícia na Banda B. Um morador resumiu a cena ao veículo: a fumaça “encheu a rua toda”. A ocorrência é a terceira do mesmo tipo noticiada em três semanas em casas de alimentação do país, todas com o mesmo equipamento no centro.

Em 15 de agosto, em São Miguel do Oeste (SC), o fogo começou em uma fritadeira elétrica e deixou prejuízo estimado em R$ 20 mil, segundo o Corpo de Bombeiros. Em 24 de agosto, no Centro de Juiz de Fora (MG), uma fritadeira elétrica ficou ligada depois do fechamento, superaqueceu e pegou fogo com a casa vazia. Os bombeiros entraram pela janela e controlaram as chamas com dois extintores.

Nenhum dos três casos teve feridos. Mas os dois com laudo apontam a mesma origem: equipamento ligado sem ninguém olhando. Para quem opera fritura todo dia, a pergunta não é se o óleo pode pegar fogo, e sim quanto custa impedir que isso feche a casa por uma semana.

Por que o incêndio em fritadeira de restaurante começa depois do fechamento

A fritadeira elétrica aquece o óleo por resistência e depende do termostato para parar. Se o termostato falha ou o equipamento fica ligado com pouco óleo na cuba, a temperatura sobe até o ponto de autoignição da gordura. Em Juiz de Fora, o fogo ficou restrito à fritadeira, mas derreteu componentes de um micro-ondas ao lado e danificou a pintura.

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O caso mineiro traz uma orientação que vale para qualquer casa: os bombeiros desligaram a energia geral e mandaram o dono não religar os disjuntores antes de uma avaliação profissional da instalação elétrica. Fritadeira que pegou fogo não volta pra tomada no dia seguinte só porque a chama apagou.

Curitiba já tinha histórico. Em dezembro de 2022, no Centro, a Banda B registrou outro princípio de incêndio em restaurante com a mesma causa: fritadeira esquecida ligada e óleo em chamas.

Água não serve, e o extintor comum resolve mal

Fogo em óleo de cozinha é classe K. Água espalha a gordura em chamas e pode provocar explosão de vapor. O extintor específico usa um agente saponificante que forma uma camada de espuma sobre o óleo, abafa a chama e resfria a superfície ao mesmo tempo.

Um extintor classe K de 6 litros custa R$ 1.970 em loja especializada, com carga válida por cinco anos. Segundo a empresa de manutenção Brasas Extintores, a exigência do equipamento em cozinhas com fritadeiras, chapas e grelhas aparece na NBR 15808 e nas instruções técnicas dos Corpos de Bombeiros estaduais. A distância máxima até o extintor em área de risco alto é de 15 metros, e a falta dele é um dos motivos mais comuns de multa em vistoria.

Em São Miguel do Oeste, os bombeiros apagaram o fogo com pó químico seco, sem água, e calcularam cerca de R$ 4 milhões em edificação, equipamentos e estoque preservados. A conta que interessa ao dono é a diferença entre esses dois números e o preço de um extintor.

O que fazer com isso

  • Inclua “fritadeira desligada na tomada” como item assinado no checklist de fechamento. Os dois casos com causa apurada começaram com o equipamento ligado depois do expediente.
  • Compre um extintor classe K e fixe a até 15 metros da linha de fritura, a no máximo 1,60 metro do piso, com sinalização. Confira o manômetro e o lacre todo mês e recarregue uma vez por ano.
  • Teste o termostato da fritadeira com termômetro de cozinha: óleo a 180 °C no painel tem de marcar perto disso na sonda. Diferença grande é sinal de troca do termostato antes que ele falhe ligado.
  • Chame um eletricista para avaliar tomada, disjuntor e fiação dedicados da fritadeira, principalmente em equipamento com mais de cinco anos ou instalado em circuito compartilhado.

Para aprofundar

Fontes

D
Diogo Martins · editor de Equipamentos
· atualizada em 15 de setembro

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