Ir para o conteúdo

Donos de Restaurante Sábado, 19 de setembro de 2026

Delivery

Taxa mínima por entrega: 67% dos clientes pediriam menos

Pesquisa encomendada pelo iFood ouviu mais de 1.500 usuários de delivery e mediu o que acontece com o volume de pedidos se o piso por corrida virar lei

Taxa mínima por entrega: 67% dos clientes pediriam menos, imagem ilustrativa
Foto: Reprodução

Um levantamento do instituto PiniOn, encomendado pelo iFood em fevereiro de 2026 com mais de 1.500 usuários de aplicativos de entrega em todo o país, aponta que 67% deles reduziriam a quantidade de pedidos caso o delivery fique mais caro. Apenas 13,5% manteriam a frequência atual de consumo e cerca de 15% dizem que deixariam de usar o serviço. Somados, 81,6% dos entrevistados afirmam que seriam afetados de alguma forma.

O gatilho da pesquisa é a discussão sobre taxa mínima por entrega no Congresso. O PL 2479/2025, apresentado pelo deputado Guilherme Boulos e em análise na Câmara, fixa piso de R$ 10 por entrega de até quatro quilômetros, mais R$ 2,50 por quilômetro excedente e R$ 0,60 por minuto de espera a partir do 11º minuto na retirada. Em paralelo, o relatório do grupo de trabalho interministerial apresentado em 24 de março de 2026 propõe elevar o mínimo de R$ 7,50 para R$ 10 por corrida e acabar com as entregas agrupadas.

Para quem opera balcão e cozinha, o número mais direto do estudo é outro: 56,4% dos consumidores que desistem de fechar um pedido apontam o preço final, incluindo a taxa de entrega, como o motivo principal do abandono do carrinho.

O que a taxa mínima por entrega muda no seu caixa

O piso por corrida não aparece na sua nota fiscal, mas entra na conta do pedido por alguma porta. Se sobe o frete cobrado do cliente, o carrinho fica mais caro e o abandono cresce. Se a plataforma segura o frete, a pressão migra para comissão, para os programas de frete grátis e para o valor que hoje o restaurante banca em cupom e subsídio de entrega.

Publicidade

O impacto não é uniforme. Um piso de R$ 10 em uma corrida de três quilômetros pesa pouco sobre um pedido de R$ 150 e pesa muito sobre um de R$ 35. Operação de lanche, marmita, açaí e padaria, que vive de ticket baixo e giro alto no raio curto, é a mais exposta.

O iFood cita ainda o caso de Seattle, nos Estados Unidos, onde o tabelamento da entrega teria derrubado os pedidos em 68%, reduzido as vendas dos restaurantes em 40% e feito 30% dos entregadores desistirem do trabalho. O dado vem da própria plataforma, parte interessada no debate, e serve como sinal de risco, não como previsão.

Quem sente primeiro a taxa mínima por entrega

A pesquisa indica que a classe C é a mais sensível ao aumento: cerca de um terço desses consumidores deixaria de pedir delivery se o serviço encarecesse, e algo em torno de 20% deles passariam a pagar uma taxa de entrega que hoje não pagam, por causa de assinaturas e promoções de frete grátis.

Na prática, some primeiro a base da pirâmide do seu volume. O cliente de meio de semana, que pede duas ou três vezes por mês e escolhe pelo preço fechado na tela, é o que recua. O de fim de semana, com ocasião marcada, tende a seguir pedindo.

Nada disso está valendo hoje. O PL 2479/2025 segue em tramitação na Câmara e não há data confirmada de votação, mas a conta já pode ser feita agora, antes de o texto andar.

O que fazer com isso

  • Levante quanto do seu faturamento em aplicativo vem de pedidos abaixo de R$ 40 e dentro de quatro quilômetros. Esse é o pedaço que fica sob risco se o piso virar lei.
  • Simule o cenário com frete de R$ 10 na sua região e veja o que sobra da margem por pedido em cada faixa de ticket. Faça a conta por produto, não pela média da loja.
  • Reforce os canais em que você controla a entrega, como WhatsApp, site próprio e retirada no balcão, com preço ou benefício que compense a diferença para o cliente.
  • Ajuste pedido mínimo e regras de frete grátis antes de mexer no preço do prato. Subir o piso do carrinho protege a margem sem espantar o cliente do cardápio inteiro.

Para aprofundar

Fontes

R
Rafael Nunes · editor de Delivery
· atualizada em 15 de setembro

Publicidade

Usamos cookies para medir a audiência do portal e para exibir publicidade. Enquanto você não responde, a publicidade fica não personalizada. Recusar não fecha nada do site. Detalhes na Política de Privacidade.