Taxa mínima de R$ 10 no delivery: iFood diz que encolhe o mercado
Piso por entrega proposto pelo governo virou bandeira da paralisação de 1º de setembro. A plataforma sustenta que o valor tira o pedido barato do app e empurra a entrega para a frota do restaurante.
O piso de R$ 10 por entrega voltou ao centro da disputa do delivery. Entregadores de aplicativo fizeram paralisação nacional nesta terça-feira, 1º de setembro, pedindo remuneração mínima de R$ 10 em corridas de até 4 km e R$ 2,50 por quilômetro adicional. É o desenho que o governo apresentou em março ao relator do projeto que regulamenta o trabalho por aplicativo.
O iFood mantém a posição que o presidente da empresa, Diego Barreto, deu à ISTOÉ Dinheiro em março: a taxa mínima de R$ 10 “vai reduzir o tamanho do mercado”. Hoje a plataforma paga R$ 7,50 de mínimo ao entregador de moto. Em um pedido de R$ 20, levar esse piso a R$ 10 é um acréscimo alto demais, e o pedido barato deixa de existir.
Barreto acrescenta um efeito que pega direto em quem opera: com o piso, a entrega migraria para a frota própria dos restaurantes, que segundo ele já responde por mais de 60% dos entregadores da plataforma, sem a proteção social prevista no projeto.
Taxa mínima de R$ 10: três propostas na mesa
O parecer do relator do PLP 152/2025, deputado Augusto Coutinho, fixa R$ 8,50 por entrega de até 3 km de carro ou 4 km de moto, bicicleta e a pé, ou pagamento por hora equivalente a dois salários mínimos, hoje R$ 14,74. O governo pediu R$ 10 mais R$ 2,50 por quilômetro adicional e R$ 0,60 por minuto de espera a partir do 11º minuto. As plataformas defendem só o pagamento por hora.
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A votação na comissão especial foi cancelada em 14 de abril, depois de protestos em pelo menos 23 capitais, e o texto segue pronto para pauta desde então. A paralisação de ontem pressiona para retomar a discussão com o valor do governo.
O que o piso faz com o pedido barato
O iFood encomendou à Pinion, em fevereiro, uma pesquisa com consumidores: 67% reduziriam a frequência de pedidos se o preço subisse, e perto de 15% parariam de usar o serviço. Entre quem abandonou uma compra no app, 56,4% apontaram preço ou taxa de entrega como motivo. É pesquisa da parte interessada, mas o pedido de R$ 25 é mesmo o mais sensível a um real a mais na entrega.
Se o piso passa e a plataforma absorve o custo, como o governo diz que deve acontecer, a pressão tende a aparecer na comissão cobrada da loja. Se repassa ao cliente, o pedido pequeno some da fila. Nos dois cenários, o ticket baixo sofre primeiro.
Frota própria entra na conta
A migração para entregador próprio, que o iFood usa como alerta, já está na mesa de muita casa. Com R$ 10 por entrega curta como referência de mercado, a frota própria compete de igual para igual em bairro denso, onde o motoboy faz três ou quatro entregas por hora. Em zona espalhada, a entrega própria fica ainda mais cara, e o app segue sendo a opção.
No dia da paralisação, 99Food e Keeta ofereceram bônus de R$ 3 a R$ 9 por entrega para manter entregadores na rua, e o iFood afirmou estudar um reajuste ainda neste ano. O custo do entregador sobe antes de qualquer lei, por pressão da concorrência.
O que fazer com isso
- Separe os pedidos de delivery por faixa de valor e veja quanto da receita vem de tickets abaixo de R$ 30. É a fatia que o piso ameaça primeiro.
- Calcule o custo real da sua entrega própria por corrida, com combustível, seguro e tempo ocioso, e compare com R$ 10. Se ficar abaixo no horário de pico, a frota própria ganha espaço.
- Reveja o pedido mínimo e os combos do app para puxar o ticket médio acima da faixa sensível antes que a taxa suba.
- Acompanhe a pauta do PLP 152/2025 na comissão especial da Câmara. A votação pode voltar sem aviso, e o valor aprovado redefine a margem do delivery.
Para aprofundar
- Guia das taxas de delivery para restaurante
- Simulador de taxa do iFood
- Taxa mínima por entrega: 67% dos clientes pediriam menos
Fontes
ISTOÉ · Poder360 · Correio · Câmara · Vermelho · iFood · Jornaldocomercio · CartaCapital
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