Preço da tilápia recua, mas tarifa dos EUA não deve baratear mais
Filé congelado ficou de fora da isenção americana, só que a exportação é 2,1% da produção brasileira. Quem compra peixe tem janela, não patamar novo.
O filé de tilápia congelado não entrou na lista de exceções e passou a pagar a tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos em 22 de julho. A lagosta viva, fresca ou refrigerada também ficou tarifada. Segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura, os itens isentos responderam por 89,2% do valor exportado aos americanos em 2025 e por 93,6% dos embarques entre janeiro e junho de 2026, incluindo tilápia inteira congelada e filé fresco.
A conclusão que correu pelo setor foi a mais óbvia: peixe que não sai do país sobra aqui dentro e derruba o preço. O número que decide isso, porém, é outro. As exportações equivalem a 2,1% da produção nacional de tilápia, pelos dados da Secretaria de Comércio Exterior, e os Estados Unidos compram cerca de 90% desse volume. É uma fatia pequena demais para mudar a cotação de um mercado que consome quase tudo o que produz.
O preço, aliás, já vinha caindo antes, por outro motivo. Em junho, o Cepea/USP registrou recuo nos valores pagos ao piscicultor em todas as regiões produtoras acompanhadas, a primeira queda generalizada desde agosto de 2025. A explicação foi demanda fraca na ponta do consumo, não sobra de peixe pronto para abate.
Por que o preço da tilápia caiu antes da tarifa
A diferença importa na hora de comprar. Preço que cede por consumo lento volta a subir quando o consumo volta, e isso costuma acontecer rápido, em uma virada de estação ou num feriado forte. Preço que cede por excesso estrutural de oferta demora bem mais para reagir e permite renegociar contrato com folga.
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O caso de junho é do primeiro tipo. No mesmo mês, as exportações bateram o maior volume do ano, empurradas pela antecipação de embarques antes da tarifa e pelo dólar valorizado. Ou seja, saiu mais peixe do país justamente quando o preço interno caía. Não houve inundação do mercado brasileiro.
Analistas do Cepea e a PeixeBR avaliam que o efeito da sobretaxa, se aparecer, será regional e pontual, concentrado perto dos frigoríficos que viviam do filé congelado para os Estados Unidos. Nada que justifique refazer a ficha técnica do prato contando com peixe barato daqui para a frente.
O que muda na compra do seu peixe
Quem trabalha com pescado tem uma janela aberta agora, e ela pode fechar. Vale travar volume e preço com o fornecedor por um prazo curto em vez de comprar semana a semana esperando uma queda maior que os próprios analistas do setor não enxergam.
Vale também desconfiar da oferta que chega com etiqueta de oportunidade. Filé congelado formatado para exportação tem gramatura, embalagem e glaciamento diferentes do que roda no mercado interno. O percentual de água na cobertura de gelo muda o rendimento por quilo e pode transformar um preço aparentemente melhor em custo maior no prato pronto.
Há ainda uma peça em movimento no Congresso. A Câmara dos Deputados aprovou o PL 6331/25, que proíbe a importação de tilápia. Se virar lei, o produto importado sai da conta de quem hoje usa esse peixe para segurar custo, e o efeito na compra é o oposto do que a tarifa americana promete.
O que fazer com isso
- Feche volume e preço com o fornecedor de pescado por 60 a 90 dias enquanto a cotação está pressionada, em vez de comprar no spot esperando queda adicional.
- Exija ficha técnica com peso líquido e percentual de glaciamento antes de aceitar qualquer lote de filé congelado oferecido como sobra de exportação.
- Refaça o custo do prato de peixe com o preço que você paga hoje, e não com projeção de barateamento, para não precisar remarcar cardápio em dois meses.
- Acompanhe o PL 6331/25 no Senado, porque proibição de importação mexe direto no custo de quem compra tilápia de fora.
Para aprofundar
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Fontes
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