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Donos de Restaurante Sábado, 19 de setembro de 2026

Delivery

Logística obrigatória do iFood: piloto eleva custo a mais de 30%

Uberaba e Imperatriz testam o modelo em que a entrega passa a ser da plataforma, e a conta salta de 15,2% para 26,5% do valor do pedido

Logística obrigatória do iFood: piloto eleva custo a mais de 30%, imagem ilustrativa
Foto: Reprodução

O iFood escolheu Uberaba (MG) e Imperatriz (MA) para testar um modelo em que a entrega do pedido feito pelo aplicativo deixa de ser do restaurante. Desde agosto, as casas classificadas nos níveis 1 e 2 do programa Super Restaurante nas duas cidades foram chamadas a migrar para o Plano Entrega, em que a logística é da plataforma. Quem não escolheu um modelo até 9 de agosto foi convertido automaticamente para a entrega feita pelo aplicativo.

A conta muda de patamar. No Plano Básico, com entregador próprio, o restaurante paga cerca de 12% de comissão mais 3,2% de taxa de pagamento on-line, 15,2% do valor do pedido. No Plano Entrega, a comissão vai a 23% e a taxa de pagamento a 3,5%, somando 26,5%. Em um pedido de R$ 100, a diferença entre os dois planos passa de R$ 11. O Sinhores, sindicato patronal de Uberaba, calculou que o custo total pode ultrapassar 30% com mensalidade e encargos, e avisou que parte das casas repassaria isso ao cardápio.

Depois de uma reunião com mais de 40 empresários e da entrada da associação comercial local, a plataforma recuou em parte. Quem está nos níveis 3, 4 ou 5 segue escolhendo como entrega, inclusive em formato híbrido, com o iFood cobrindo até 3 km e a casa cuidando das distâncias maiores. Em Uberaba, cerca de 87% dos restaurantes estão nessa faixa, segundo o sindicato.

Quando a logística do iFood vira obrigatória para a sua casa

A régua deixou de ser geográfica e passou a ser de desempenho. O nível do Super Restaurante sai de nota do cliente, cancelamento, reclamação e volume mínimo de pedidos e avaliações no trimestre. Cair para os níveis 1 e 2 nas cidades do piloto significa perder o direito de usar a própria frota nos pedidos do aplicativo.

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Na prática, indicador operacional virou cláusula de custo. Pedido cancelado por falta de item, atraso na saída da cozinha e reclamação sem resposta deixaram de ser só perda de venda: empurram a operação para uma faixa de comissão 11 pontos mais alta. Quem tem motoboy fixo na folha acumula os dois custos no mesmo mês.

O que o teste em duas cidades sinaliza para o resto do país

As duas praças testam o modelo antes de uma eventual expansão, e o argumento da plataforma é de desempenho: tempo médio de entrega 11 minutos menor, atrasos críticos 45% menores e nota média de 4,89 no aplicativo entre quem usa a logística dela. O iFood também afirma que restaurantes nesse modelo cresceram 40% em média.

Do outro lado do balcão, o que se perde é controle. Sem entregador próprio no pedido do aplicativo, o dono não define rota nem escolhe quem bate na porta do cliente, e perde o encaixe entre a entrega do marketplace e a do canal próprio, que hoje dividem o mesmo motoboy. É esse encaixe que segura o custo de entrega em cidade média.

O que fazer com isso

  • Calcule os dois cenários com o faturamento do último mês no iFood: aplique 15,2% e 26,5% e compare a diferença com o custo real da sua frota, com folha, combustível e manutenção.
  • Consulte o seu nível no Super Restaurante pelo Portal do Parceiro e trate cancelamento e reclamação como meta da semana, porque é o indicador que decide quem mantém a entrega própria.
  • Simule o modelo híbrido antes de precisar dele: veja quantos pedidos ficam dentro de 3 km e quantos passam disso. Essa proporção diz se o formato protege ou come a sua margem.
  • Reforce o canal próprio agora, com cardápio digital, WhatsApp e recorrência, para não depender de uma porta só quando o custo do marketplace subir.

Para aprofundar

Fontes

iFood · JM · Diariodocomercio

R
Rafael Nunes · editor de Delivery
· atualizada em 15 de setembro

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