Alimentação fora do lar fatura R$ 495 bi, mas cresce 0,92% real
O setor movimentou R$ 40 bilhões a mais que em 2024 e ainda assim quase não ganhou margem. É por isso que água, energia e resíduo viraram pauta de caixa.
O setor de alimentação fora do lar fechou 2025 com R$ 495 bilhões de faturamento, contra R$ 455 bilhões em 2024, segundo a Abrasel. Mas a coluna que interessa a quem opera está ao lado: descontada a inflação, o crescimento real em 12 meses foi de 0,92%, conforme os dados de janeiro de 2026 divulgados pela associação.
“Mesmo em um ambiente ainda pressionado por custos e com impacto sobre as margens, o setor começa 2026 em nível superior ao do ano passado”, afirmou Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel. Traduzido para o balcão: o que entra subiu quase só o que a inflação empurrou, enquanto insumo, energia e folha seguiram apertando o que sobra.
O Instituto Foodservice Brasil projeta expansão média de 7% ao ano até 2028. Para quem tem uma ou duas lojas, capturar isso passa menos por vender muito mais e mais por parar de deixar dinheiro escapar pelo ralo, pela tomada e pela lixeira.
Por que a alimentação fora do lar cresce sem sobrar margem
Faturamento nominal alto com crescimento real perto de zero significa que o ganho veio de preço, não de volume. Nesse cenário, cada ponto de custo fixo cortado vale mais que uma promoção nova, porque cai direto no resultado sem depender de mais gente entrando pela porta. É aí que a agenda de sustentabilidade deixa de ser discurso: conta de luz, conta de água, descarte de resíduo orgânico e compra de embalagem são despesas que voltam todo mês.
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Quem já corta custo com isso é o pequeno
O diagnóstico de economia circular feito pela Abrasel com o Sebrae ouviu 1.002 empresários de todas as regiões e chegou a um resultado que contraria a intuição: os negócios menores, de MEI a empresa de pequeno porte, pontuaram melhor que os grandes em gestão de recursos, consumo de energia e aproveitamento de resíduos.
Energia foi o item mais citado entre as práticas já adotadas. No mapa de resíduos, o maior volume é orgânico, sobra de alimento, seguido de plástico, papel, vidro e alumínio. E a motivação declarada é interna em 48% dos casos, contra 20% de influência do cliente, 12% de exigência de parceiros e 11% de fornecedores. Quem mexeu nisso mexeu por conta própria, não porque alguém cobrou.
O próximo retrato do setor já foi coletado
Uma nova rodada da pesquisa, conduzida pelo Sebrae com a Abrasel, ficou aberta até 16 de março de 2026 e mediu consumo de água e energia, gestão de resíduos, embalagens e cadeia de fornecedores. “A pesquisa é uma oportunidade de ouvir quem está na ponta e entender, com dados, quais práticas já estão sendo aplicadas”, disse Luiza Campos, líder de ASG da Abrasel. O material vira diagnóstico setorial e base para políticas públicas, o que costuma preceder linha de crédito e programa de incentivo.
O que fazer com isso
- Levante os últimos 12 meses de água, energia e coleta de resíduo e veja quanto isso pesa no faturamento. Sem esse percentual, investir vira palpite.
- Ataque o resíduo orgânico primeiro: é o maior volume da operação e o mais barato de reduzir. Ficha técnica revista, estoque controlado e porção ajustada mexem no custo do prato já no mês seguinte.
- Renegocie embalagem com dois fornecedores em paralelo antes de trocar de material, comparando preço por unidade servida e não por fardo.
- Procure a regional da Abrasel e o Sebrae do seu estado atrás das linhas de apoio que saíram do diagnóstico de economia circular. É crédito e consultoria que a maioria não usa por não saber que existe.
Para aprofundar
- Guia de precificação para restaurante
- Alimentação fora do lar movimenta R$ 287,9 bi e o tráfego cai
- Mercado de food service 2026 cresce menos e aperta a margem
Fontes
Seafood · Agenciasebrae · FBHA · Acontecendo
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