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Donos de Restaurante Sábado, 10 de outubro de 2026

Mercado

Vendas nas mesmas lojas do foodservice caem 1,9% em agosto

Indicador do IFB mostra avanço nas vendas totais, mas retração real nas unidades comparáveis; delivery ganha peso na amostra.

Vendas nas mesmas lojas do foodservice caem 1,9% em agosto, imagem ilustrativa
Foto: Reprodução

As vendas nas mesmas lojas acompanhadas pelo Instituto Foodservice Brasil (IFB) caíram 1,9% em termos reais em agosto de 2026, na comparação com agosto de 2025. Sem descontar a inflação da alimentação fora do lar, houve alta de 3,5%. Os números do Índice de Desempenho Foodservice (IDF) foram apresentados na plenária do instituto em 23 de setembro e divulgados no dia 25.

O retrato muda quando entram todas as unidades dos operadores pesquisados: as vendas totais cresceram 7,6% nominalmente e 2,2% em termos reais na comparação anual. A diferença importa para quem planeja expansão. O crescimento agregado não prova que uma loja existente esteja vendendo mais em poder de compra. O IFB também informou que o delivery representou 26,7% das vendas da amostra em agosto, com 34,9% mais transações do que um ano antes.

Vendas mesmas lojas no foodservice: o sinal para a unidade aberta

O indicador de mesmas lojas compara unidades presentes nos dois períodos, retirando da conta o efeito de novas aberturas. Por isso, ajuda a responder uma pergunta prática: a operação atual sustenta suas metas antes de a rede abrir outro ponto? Em agosto, a resposta média do grupo monitorado pelo IFB foi de queda real, apesar do aumento nominal de receita.

Isso não significa, por si só, que cada restaurante vendeu menos pratos ou perdeu margem. O índice divulgado não traz a decomposição por número de pedidos, mix e rentabilidade de cada casa. Tampouco descreve necessariamente o desempenho de um restaurante independente: segundo a metodologia do IDF, o levantamento consolida vendas realizadas por associados do instituto. O operador pode usar o dado como alerta de mercado, sem tratá-lo como meta automática para o próprio negócio.

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Na gestão da casa, vale separar faturamento de movimento. Se a receita sobe por reajuste, mas pedidos ou clientes caem, a alta do caixa pode esconder perda de frequência. Compare agosto deste ano com o mesmo mês do ano passado, no mesmo ponto de venda, e observe também calendário, dias abertos e alterações de cardápio antes de atribuir a diferença ao mercado.

Delivery cresce, mas exige conta por canal

O avanço de 34,9% nas transações de delivery do grupo pesquisado indica mais pedidos pelo canal. Não informa, sozinho, quanto sobrou em cada venda. Uma operação que decide ampliar investimento em entrega precisa olhar preço líquido após taxas, custo de embalagem, comissão, tempo de preparo e capacidade da cozinha nos horários de pico.

Os 26,7% de participação são uma média da amostra do IDF, não uma proporção recomendada para todos os restaurantes. Uma pizzaria com salão pequeno, por exemplo, pode ter composição diferente da de uma padaria com forte fluxo de balcão. O dado serve para testar se a própria mudança de canal está melhorando resultado ou apenas substituindo vendas que antes chegavam diretamente à casa.

O que fazer com isso

  • Compare agosto de 2026 com agosto de 2025 na mesma unidade, separando faturamento, pedidos e ticket médio.
  • Calcule a margem por canal após taxas, embalagem e custo de entrega antes de promover mais pedidos por aplicativo.
  • Revise metas de venda e compra de insumos com base no movimento da sua casa, sem projetar os 7,6% do índice sobre ela.
  • Acompanhe a frequência dos clientes nas próximas semanas para distinguir reajuste de preço de ganho real de demanda.

Para aprofundar

Fontes

T
Tomás Ferraz · editor de Mercado
· atualizada em 27 de setembro

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