Delivery no foodservice chega a 26,7% das vendas em agosto
Dados do IFB mostram avanço das entregas, enquanto o desempenho real das mesmas lojas recua.
O delivery respondeu por 26,7% das vendas dos operadores acompanhados pelo Instituto Foodservice Brasil (IFB) em agosto de 2026. Na comparação com agosto de 2025, o número de transações nesse canal cresceu 34,9%. Os números do Índice de Desempenho Foodservice (IDF) foram apresentados em plenária do instituto no dia 23 de setembro e publicados nesta sexta-feira, 25.
As vendas totais dos operadores da amostra cresceram 7,6% em valores nominais e 2,2% descontada a inflação, na comparação anual. No recorte de mesmas lojas, que retira da conta o efeito de abertura e fechamento de unidades, houve alta nominal de 3,5%, mas queda real de 1,9%. O contraste pede atenção de quem vê o faturamento subir e presume que cada unidade está vendendo mais em volume ou ganhando margem.
Os percentuais descrevem a base monitorada pelo IFB. Não significam que o delivery tenha exatamente essa participação em todo restaurante brasileiro. Para cada casa, o dado serve como referência para comparar o peso das entregas, a capacidade da cozinha e o resultado líquido de cada canal.
Delivery no foodservice exige conta por canal
Mais pedidos de entrega podem elevar receita e, ao mesmo tempo, pressionar a operação. A comissão da plataforma, os descontos pagos pela casa, a embalagem, o tempo de preparo e eventuais reembolsos entram na conta antes de chamar o pedido de rentável. O IDF informa participação e crescimento das transações do delivery, mas não divulga nesse balanço a margem obtida por pedido.
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Uma análise útil começa separando vendas, pedidos, ticket e custo variável de salão, retirada e entrega. Se o sistema mistura tudo, um aumento expressivo do delivery pode esconder perda de rentabilidade em um canal ou queda de movimento no salão. A comparação precisa usar períodos equivalentes e considerar promoções pontuais.
O avanço não surgiu apenas em agosto. No levantamento de julho, também apresentado pelo IFB, o delivery representou 25,5% das vendas dos operadores da amostra e suas transações cresceram 42,9% em relação a julho de 2025. A mudança de um mês para outro não prova tendência para uma loja individual, mas indica que a entrega já ocupa uma parcela relevante da atividade medida pelo instituto.
Mesmas lojas mostram outra pressão
O recuo real de 1,9% nas mesmas lojas merece uma leitura separada da alta total do setor pesquisado. Parte da expansão agregada pode vir de novas unidades. Para um operador com endereço estável, o indicador mais próximo da própria rotina é a evolução da loja existente, acompanhada de margem, frequência e capacidade de atendimento.
Também há um sinal no consumo geral. O estudo CREST, apresentado na mesma plenária, apontou gasto de R$ 62,9 bilhões no segundo trimestre, 1% acima de igual período de 2025, enquanto o tráfego caiu 4%, para 2,8 bilhões de visitas. O ticket médio subiu 5%, para R$ 22,10. São métricas de pesquisa diferente do IDF, mas ajudam a evitar uma leitura apressada: mais receita pode conviver com menos visitas.
O que fazer com isso
- Separe semanalmente pedidos, faturamento e margem de salão, retirada e delivery, incluindo taxas, descontos e embalagem.
- Meça tempo de preparo e atrasos nos horários de pico para decidir se a cozinha suporta mais pedidos de entrega sem prejudicar o salão.
- Compare o desempenho da mesma unidade com o mesmo mês do ano anterior, além de olhar o faturamento total.
- Revise promoções por canal com base no resultado líquido por pedido, antes de ampliar descontos para ganhar volume.
Para aprofundar
- Vendas de bares e restaurantes sobem 7,4% em agosto, mas margem aperta
- Delly’s chega a R$ 5,8 bi e amplia distribuidora food service no Sul
- Congresso Abrasel: os números que mudam sua venda e seu delivery
Fontes
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