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Donos de Restaurante Sábado, 10 de outubro de 2026

Mercado

GLP-1 já muda o cardápio de 53% das redes de restaurante do país

Pesquisa ABF/GALUNION com 62 marcas e quase 16 mil pontos de venda mostra porção menor, prato leve e proteína entrando na carta, e supply chain como prioridade de investimento em 2026

GLP-1 já muda o cardápio de 53% das redes de restaurante do país, imagem ilustrativa
Foto: Reprodução

Mais da metade das redes de alimentação do país já mexeu no que serve por causa de remédio. A Pesquisa Anual Setorial de Food Service ABF/GALUNION 2025-2026 aponta que 53% das marcas ouvidas adaptaram o cardápio diante do avanço dos medicamentos da classe GLP-1, as chamadas canetas emagrecedoras. Dentro desse grupo, 52% destacaram opções de apelo saudável, 48% passaram a oferecer pratos mais leves e 36% deram evidência a itens com mais proteína.

O levantamento ouviu 62 marcas associadas à ABF, que somam 15.975 pontos de venda e respondem por 38% das vendas do franchising de alimentação. Não é palpite de nicho, portanto: é o que a parte mais organizada do setor já fez com a própria carta, enquanto a casa independente ainda discute se o assunto pega.

Do lado do consumidor, o número que explica o movimento vem de outro estudo da mesma consultoria, o “Alimentação Hoje: a visão do consumidor”, divulgado em maio de 2026: 24% dos entrevistados já usaram ou pretendem usar GLP-1 e similares, e na classe A o índice chega a 40%.

O que o GLP-1 tira do cardápio do restaurante

Quem está no medicamento come menos e come diferente. A pesquisa da GALUNION descreve apetite reduzido, menor tolerância a ultraprocessado, sensibilidade a porção grande e mais seletividade na hora de escolher a casa. Traduzindo para o balcão: o argumento de venda que era o tamanho do prato vira motivo de recusa, e o combo que fechava conta no volume começa a voltar pela metade.

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Uma rede já se moveu de forma pública. A Água Doce Sabores do Brasil, com 80 lojas em seis estados, reformulou o cardápio com porções menores, mais proteína e prato equilibrado, com carta nova prevista para julho de 2026 e expectativa de alta de 10% nas vendas do segundo semestre. A projeção é da própria rede, não um resultado apurado, mas mostra o tamanho da aposta.

Para quem tem uma casa só, a leitura prática é outra: antes de criar linha saudável, vale olhar quanto do carro-chefe volta sem terminar e se existe versão menor do mesmo prato com margem igual ou melhor por grama.

Supply chain virou a prioridade de investimento

Entre as marcas ouvidas, 69% planejam investir em compras, distribuição e logística de fornecedores em 2026. Faz sentido: prato menor com proteína melhor só fecha se o custo da compra acompanhar, e é na negociação que essa conta se resolve, não no cardápio.

O pano de fundo é de setor com dinheiro no caixa. O franchising de alimentação faturou R$ 79,862 bilhões em 2025, alta de 15,6% sobre 2024, com o número de lojas subindo 3,1%. No primeiro trimestre de 2026, o faturamento cresceu 14,4%, para R$ 19,594 bilhões. Entre as redes pesquisadas, 94% tiveram lucro no último ano e 66% registraram margem acima de 10%.

O que fazer com isso

  • Conte as sobras por duas semanas: peça ao salão anotar quantos pratos voltam pela metade e em quais itens, porque é esse número, não a pesquisa, que decide se a porção da sua casa está grande demais.
  • Crie a versão menor do carro-chefe antes de inventar item novo, com preço proporcional e mesma ficha técnica, para testar demanda sem abrir insumo novo no estoque.
  • Renegocie proteína primeiro: se o movimento é servir menos volume e mais proteína, o item que mais pesa na ficha é o que precisa de preço e prazo revistos com o fornecedor.
  • Marque no cardápio o que já é leve ou proteico em vez de criar uma seção “saudável”, que costuma envelhecer mal e canibalizar o prato principal.

Para aprofundar

Fontes

T
Tomás Ferraz · editor de Mercado
· atualizada em 15 de setembro

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