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Donos de Restaurante Sábado, 10 de outubro de 2026

Mercado

Expansão de franquias: 80,8% das redes priorizam abrir unidade

Diagnóstico apresentado pela ABF ouviu 27 redes de ensino e achou o mesmo dilema que ronda o food service: crescer em pontos enquanto o cliente dura menos.

Expansão de franquias: 80,8% das redes priorizam abrir unidade, imagem ilustrativa
Foto: Reprodução

O Encontro da Comissão de Educação da Associação Brasileira de Franchising apresentou nesta semana o Diagnóstico Setorial de Educação, feito pela Praxis Business com 27 redes. Entre os desafios listados para 2026, 80,8% das redes colocaram a expansão como prioridade e 61,5% citaram fazer a unidade que já existe faturar mais. Os dois números saem do mesmo grupo de respondentes, ou seja, a maioria quer abrir ponto novo e consertar o ponto velho ao mesmo tempo.

O dado mais duro do levantamento está na base de clientes. A permanência média do aluno caiu de 23 para 19,5 meses, uma perda de cerca de 15% no tempo de vida de quem já estava dentro. E 100% das redes ouvidas apontaram as redes sociais como canal de atração, sem exceção.

Escola não é restaurante, mas as duas entram no mesmo termômetro da ABF. No primeiro trimestre de 2026, o franchising brasileiro faturou R$ 72,7 bilhões, alta de 10,1% sobre o mesmo período de 2025, com 204.908 operações ativas e 1,788 milhão de empregos diretos. O segmento de Alimentação Comercialização e Distribuição, que junta mercados autônomos, conveniência, cafeterias e redes de chocolate, subiu 22% e liderou o trimestre.

O que a expansão de franquias revela sobre a sua casa

Uma rede que declara expansão como prioridade e, na linha seguinte, admite que precisa melhorar o faturamento por unidade está dizendo que o ponto atual não entrega o que prometia. Para quem opera uma casa só, a leitura é direta: antes de assinar o contrato da segunda unidade, olhe quanto a primeira faz por metro quadrado e por hora de operação. Ponto novo não corrige margem ruim, ele multiplica a margem que você já tem, para cima ou para baixo.

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Vale o mesmo para quem pensa em virar franqueado. Peça à franqueadora o faturamento médio por unidade dos últimos 12 meses e a taxa de fechamento da rede, não só o número de aberturas. No trimestre medido pela ABF, o crescimento líquido de unidades foi de 1,5%, com 3,1% de aberturas contra 1,6% de encerramentos. Metade do que abre no setor é compensada pelo que fecha.

Cliente que dura menos derruba o caixa antes do ticket

Perder 3,5 meses de permanência média é perder receita já contratada, sem que o ticket tenha mudado uma vírgula. No restaurante, o equivalente é a frequência de retorno, e quase ninguém mede. Se o mesmo cliente pedia três vezes por mês e passou a pedir duas, o efeito no mês é o mesmo de perder um terço da base, mesmo com o aplicativo mostrando faturamento estável.

Canal único de atração é risco, não estratégia

Cem por cento das redes dependendo de rede social significa que uma mudança de algoritmo mexe no caixa de todo mundo no mesmo dia. Quem só é achado pelo Instagram ou pelo aplicativo de delivery não tem canal, tem aluguel de audiência. Cadastro próprio, WhatsApp com base opt-in e a lista de quem já comprou continuam sendo o único ativo que não some numa atualização de plataforma.

O que fazer com isso

  • Calcule a frequência média do seu cliente recorrente nos últimos 90 dias e compare com os 90 dias anteriores. Queda aqui aparece antes da queda no faturamento.
  • Adie a segunda unidade enquanto a primeira não bater a margem que você definiu como piso, por três meses seguidos.
  • Exija da franqueadora, se for franquear, o faturamento médio por unidade e o número de lojas fechadas no último ano, por escrito.
  • Levante quanto do seu movimento chega por canal próprio e quanto chega por plataforma de terceiro. Se o próprio não passa de 20%, comece pela base de contatos.

Para aprofundar

Fontes

T
Tomás Ferraz · editor de Mercado
· atualizada em 15 de setembro

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