Cota de carne bovina dos EUA põe o dianteiro na mira até novembro
Os Estados Unidos abriram 300 mil toneladas de aparas magras com tarifa quase zerada entre setembro e novembro. O corte visado é o mesmo que vira carne moída e hambúrguer na sua cozinha.
Os Estados Unidos abriram uma cota extra de 300 mil toneladas de aparas magras de carne bovina, dividida em três parcelas mensais de 100 mil toneladas entre 1º de setembro e 30 de novembro. Dentro dessa cota, a tarifa de importação cai dos 26,4% cobrados normalmente para US$ 44 por tonelada. O decreto foi assinado em 26 de agosto e o Brasil disputa o volume por ordem de chegada, na categoria “outros países”, porque não tem cota própria para carne bovina.
O detalhe que interessa a quem opera cozinha está na expressão aparas magras. Elas saem do dianteiro, o mesmo pedaço do boi que vira carne moída, hambúrguer, picadinho, ragu, escondidinho e recheio de salgado no cardápio brasileiro.
No mercado interno, o indicador do boi gordo Cepea/B3 fechou a sexta-feira (4) a R$ 347,70 por arroba, alta de 0,96% no acumulado de setembro e de 8,0% no ano. Os contratos futuros na B3 seguem renovando máximas e operam bem acima do mercado à vista, ou seja, quem compra gado para o fim do ano já paga prêmio.
O que a cota de carne bovina dos EUA tira do seu estoque
A cota regular da categoria em que o Brasil se enquadra, de cerca de 52 mil toneladas por ano, acabou logo em 6 de janeiro. De lá para cá, tudo que saiu daqui para os EUA pagou os 26,4%. Mesmo assim, o país embarcou 233,8 mil toneladas entre janeiro e julho, alta de 17,1% sobre 2025, na segunda posição do ranking de destinos, atrás só da China.
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Com a tarifa praticamente zerada por três meses, o frigorífico ganha um comprador disposto a pagar mais pelo dianteiro do que o distribuidor que atende a sua casa. Quando isso acontece, o equilíbrio da carcaça muda de lado: o traseiro (picanha, contrafilé, alcatra) continua brigando pelo consumidor brasileiro e o dianteiro fica curto aqui dentro. Quem sente primeiro é lanchonete, hamburgueria, cozinha industrial e casa de comida caseira, justamente as operações que trabalham com margem apertada em cima do corte barato.
Por enquanto o atacado não reagiu
O efeito prático até agora foi menor que o anúncio. O dianteiro na Grande São Paulo recuou de R$ 21 para R$ 20 o quilo depois do decreto e apareceu a R$ 19 no início de setembro. Os frigoríficos ainda avaliam se o embarque compensa, as escalas de abate estão confortáveis e as exportações brasileiras caíram 26,4% nos 15 primeiros dias úteis de agosto na comparação com 2025. A carne bovina também perdeu competitividade para frango e ovo na gôndola, o que segura o repasse ao consumidor.
É por isso que a janela de compra é agora, e não em outubro. Se os frigoríficos confirmarem os embarques dentro da segunda e da terceira parcela, o dianteiro reprecifica no meio da alta temporada de fim de ano, quando a sua operação tem menos espaço para mexer no cardápio.
O que fazer com isso
- Trave por escrito com o fornecedor o preço do dianteiro, da carne moída e do blend de hambúrguer até 30 de novembro, aproveitando o atacado frouxo perto de R$ 19 o quilo.
- Recalcule a ficha técnica de cada item que depende de carne moída simulando o quilo a R$ 23, para já saber qual preço de venda segura a margem se a alta vier.
- Peça cotação semanal em setembro e outubro, com data registrada, em vez de descobrir o reajuste na nota fiscal da entrega.
- Teste agora, e não em novembro, um item de frango, suíno ou ovo com margem de contribuição parecida com a do seu carro-chefe de carne, para ter a substituição pronta na mão.
Para aprofundar
- Preço da carne bovina sobe e aperta o custo do seu prato
- Preço da carne bovina volta a subir e pressiona o prato em setembro
- Preço da carne bovina: boi gordo sobe mais de 10% em 12 meses em MT
Fontes
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