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Donos de Restaurante Sábado, 10 de outubro de 2026

Custos

Biodiesel empurra o preço do óleo de soja; fritura fica mais cara

No varejo, óleos e gorduras acumulam queda de 6,38% em 2026. No atacado, a tonelada voltou a beirar R$ 7 mil puxada pela demanda das usinas de biodiesel.

Biodiesel empurra o preço do óleo de soja; fritura fica mais cara, imagem ilustrativa
Foto: Reprodução

Quem opera fritadeira está vivendo duas realidades ao mesmo tempo. Na gôndola, o grupo de óleos e gorduras acumula queda de 6,38% em 2026 até julho, a maior baixa entre todos os grupos de alimentos medidos pelo IBGE no IPCA-15. No atacado, o caminho é o contrário: o óleo de soja bruto e degomado foi cotado a R$ 6.953,38 por tonelada na região de São Paulo em 24 de março, o maior patamar em mais de três meses, segundo o Cepea/Esalq. Em dezembro de 2025 a tonelada já havia passado dos R$ 7 mil.

A distância entre as duas pontas não é ruído. É o intervalo que existe entre o custo de reposição do distribuidor e o preço que chega na caixa que a sua casa compra. Quem trabalha com pastel, porção, batata, coxinha ou frango frito compra óleo toda semana, e a conta muda quando o distribuidor repõe estoque.

Por que o preço do óleo de soja subiu no atacado

O motor é o biodiesel. A mistura obrigatória de biodiesel no diesel está em 15% (B15) desde 1º de agosto de 2025, e a Lei do Combustível do Futuro prevê a passagem para 16% (B16) a partir de 1º de março de 2026. A troca não aconteceu na data porque depende de aprovação formal do Conselho Nacional de Política Energética e da validação técnica exigida pela própria lei. Os testes começaram em 2026 e o governo mantém a expectativa de aprovar o B16 ainda neste ano.

Só a expectativa já mexeu no mercado. As usinas anteciparam compras, e o óleo de soja responde por cerca de 70% da matéria-prima do biodiesel brasileiro em 2025, com projeção de chegar a 74% em 2026 pela consultoria Argus. Resultado: mesmo com safra recorde de soja, o óleo não barateia, porque a demanda energética disputa o mesmo litro que iria para a cozinha.

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O que a deflação no varejo esconde

A queda de 6,38% no ano é boa notícia, mas é retrovisor. Ela reflete o repasse do alívio anterior, e o atacado hoje aponta para cima. O IPCA de julho fechou em 0,07% no mês e 4,44% em 12 meses, com alimentação e bebidas em queda de 0,67%. Esse alívio é a janela: enquanto durar, o custo de estocar óleo está mais barato do que provavelmente estará depois de uma eventual decisão sobre o B16.

Vale lembrar o que já aconteceu: em 2021, o óleo de soja dobrou de preço no varejo brasileiro e virou o item que mais subiu na cesta. As duas altas têm a mesma raiz, a competição entre o prato e o tanque, e quem sentiu na margem foi a casa que descobriu o custo só quando a caixa chegou mais cara.

O que fazer com isso

  • Compre volume de óleo agora, enquanto o varejo ainda está em deflação, respeitando o giro real e a validade. Trave preço com o distribuidor para os próximos 60 a 90 dias.
  • Meça o consumo de óleo por dia de fritura e por prato. Sem esse número não dá para saber se uma alta de 10% na caixa custa R$ 200 ou R$ 2.000 por mês na sua operação.
  • Acompanhe a decisão do Conselho Nacional de Política Energética sobre o B16. É o gatilho que decide se o atacado alivia ou dispara no fim do ano.
  • Revise o filtro e a troca de óleo da fritadeira antes de mexer no preço do prato. Aumentar a vida útil do óleo é o único ganho que não depende do mercado.

Para aprofundar

Fontes

H
Helena Braga · editora de Custos
· atualizada em 15 de setembro

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