ABF firma acordo com a China e acelera franquia chinesa no Brasil
Convênio inédito com a CCFA abre corredor de mão dupla para redes que somam 1 milhão de lojas e já vendem sobremesa a R$ 5 em São Paulo
A Associação Brasileira de Franchising (ABF) assinou o primeiro termo de cooperação da sua história com a China Chain Store & Franchise Association (CCFA), entidade que reúne o varejo em rede chinês. O acordo foi fechado durante a Missão ABF China, realizada de 27 de agosto a 5 de setembro em Xangai e Pequim, em parceria com a ApexBrasil pelo programa Franchising Brasil.
O convênio prevê novas missões, visitas de comitivas chinesas ao Brasil, intercâmbio entre as feiras de franquia dos dois países e rodadas de matchmaking entre marcas. É um corredor de mão dupla: além de abrir porta para marca brasileira lá fora, encurta o caminho de quem quer entrar aqui.
O tamanho do outro lado dá a dimensão do que vem. Segundo a CCFA, as 300 maiores redes da China somam mais de 1 milhão de lojas em operação, e 23 delas têm mais de 10 mil unidades cada uma. Alimentação, cafeteria e bebida estão entre os segmentos mais pesados desse grupo.
A franquia chinesa no Brasil já saiu do papel
O movimento não é hipótese de médio prazo. A Mixue, rede chinesa de sorvete e chá gelado com cerca de 48 mil lojas em 15 países, abriu as duas primeiras unidades brasileiras em abril de 2026, no Shopping Cidade São Paulo e na Rua 25 de Março. A empresa declarou meta de 60 a 100 lojas no país ainda em 2026, mil unidades até 2030 e aporte anunciado de R$ 3,2 bilhões nesse período.
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O ponto que interessa a quem opera não é a bandeira, é a etiqueta. O cardápio brasileiro da rede vai de R$ 5 a R$ 12. Quem vende sobremesa, milk-shake, açaí ou bebida gelada como item de ticket adicional passa a disputar atenção com uma âncora de preço nessa faixa, sustentada por compra global e receita de US$ 4,9 bilhões em 2025.
O que muda na conta de quem opera hoje
O mercado que vai receber essas redes está crescendo, o que dá fôlego, mas também atrai mais gente. O franchising de alimentação faturou R$ 79,862 bilhões em 2025, alta de 15,6% sobre 2024, pela pesquisa setorial da ABF. No primeiro trimestre de 2026, o recorte de food service somou R$ 12,4 bilhões, com avanço de 10,4%, enquanto o número total de lojas franqueadas subiu 4,6% em um ano.
Traduzindo para a operação: a demanda cresce em valor mais rápido do que em número de pontos, e o ponto novo que abre ao lado tende a ser de rede, com padronização e preço agressivo. Casa independente que disputa só por preço nessa faixa perde a queda de braço. O terreno defensável é sabor próprio, atendimento e recorrência com o bairro.
Padronização e tecnologia foram o que a comitiva foi ver
A CCFA aponta, entre as práticas das redes visitadas, uso de inteligência artificial em previsão de demanda, controle de estoque e personalização de oferta, além de logística tratada como parte central do negócio.
Nada disso depende de rede com 10 mil lojas para começar. Previsão de compra por dia da semana, controle de perda por item e cardápio ajustado ao que gira são disciplina de gestão, não tecnologia cara.
O que fazer com isso
- Compare o preço dos seus itens de bebida e sobremesa com a faixa de R$ 5 a R$ 12 praticada pela rede chinesa em São Paulo. Adicional sem diferencial claro nessa faixa é o primeiro a cair quando a loja abrir perto.
- Reforce o que não escala: receita da casa, atendimento por nome, combinação que só a sua cozinha faz.
- Feche o controle de perda e a previsão de compra antes de disputar preço. Margem defendida no estoque vale mais que promoção reativa.
- Acompanhe as feiras de franquia citadas no convênio, porque é nelas que as marcas chinesas de alimentação vão apresentar plano de expansão por aqui.
Para aprofundar
- Franquias de alimentação crescem 13,7% no 2º trimestre
- Expansão de franquias: 80,8% das redes priorizam abrir unidade
- Franquias de alimentação crescem 13,7% e ABF leva debate a BH
Fontes
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