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Donos de Restaurante Sábado, 10 de outubro de 2026

Custos

Ataque a restaurante vegano mostra o custo de operar sem seguro

Grupo invadiu um café vegano em Tbilisi e jogou carne nos clientes; no Brasil, só 26,7% dos pequenos negócios têm apólice para bancar uma noite assim

Ataque a restaurante vegano mostra o custo de operar sem seguro, imagem ilustrativa
Foto: Reprodução

Na noite de 29 de maio de 2016, mais de uma dúzia de homens entrou no Kiwi Cafe, um café vegano no centro histórico de Tbilisi, capital da Geórgia, durante uma sessão de vídeo. Alguns usavam salsichas penduradas no pescoço. O grupo começou a comer carne grelhada, salsicha e peixe dentro do salão e a atirar os pedaços nos clientes e nos pratos deles. A equipe pediu que saíssem, a briga começou, foi para a calçada e vizinhos entraram no meio. Houve feridos leves. Quando a polícia chegou, os agressores já tinham fugido, e ninguém foi preso, segundo a Rádio Europa Livre.

O episódio ocorreu três dias depois de uma marcha nacionalista pelas ruas da capital georgiana, e a casa era conhecida por reunir público estrangeiro. O motivo do ataque foi político. A conta que sobrou, não: quem pagou o salão parado, a comida no chão e o serviço interrompido foi a operação.

E essa conta, no Brasil, quase sempre cai inteira no caixa do dono. Pesquisa da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) mostra que apenas 26,7% dos micro e pequenos empresários contratam algum seguro para o negócio, e só 20,9% contratam alguma cobertura para os funcionários. O levantamento ouviu 86 empresários e 156 corretores na terceira fase do estudo, concluída entre 2024 e 2025.

O que uma noite interrompida tira do caixa

Um tumulto no salão não cobra só o prejuízo visível. O vidro quebrado e a louça no chão são a parte barata. Cara é a noite de sábado que não gira: as mesas que não sentaram, o pré-preparo que vai fora, a equipe inteira paga sem faturamento correspondente e o cliente que não volta na semana seguinte. Aluguel, folha e energia correm igual, com salão cheio ou com salão evacuado.

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A CNseg identificou os dois maiores freios à contratação de seguro entre as pequenas empresas: a baixa percepção de risco e a restrição econômica, ambas à frente do desconhecimento do produto. Ou seja, o empresário sabe que o seguro existe e decide não comprar. Entre os entrevistados, 42% citaram preocupação em honrar compromissos e 30,2%, inadimplência.

Por que o seguro de restaurante entra tarde na conta

A mesma pesquisa aponta o padrão de comportamento: o pequeno empresário contrata seguro depois da tragédia, roubo ou incêndio, ou quando alguma exigência legal obriga. Antes disso, a apólice parece despesa. Depois, vira a diferença entre reabrir na terça e fechar de vez.

Serviço de alimentação ainda paga mais caro que a média porque a seguradora enxerga gás, fritura e fluxo de público como risco elevado. Material comercial de corretoras anuncia faixas na casa de R$ 2.500 a R$ 6.500 ao ano para um restaurante com cerca de R$ 800 mil em patrimônio, o que dá algo entre R$ 200 e R$ 550 por mês. Serve para orientar a cotação, não para virar orçamento.

O ponto operacional é outro, e vale mesmo para quem já tem apólice: a maioria das coberturas básicas para o pequeno negócio para em incêndio e roubo. Danos por tumulto, vandalismo, quebra de vidros e lucros cessantes costumam ser cláusulas adicionais, que só entram se forem pedidas na contratação.

O que fazer com isso

  • Abra a sua apólice hoje e procure três palavras: tumulto, vandalismo e lucros cessantes. Se não estiverem lá, a noite perdida sai do seu bolso.
  • Cote com pelo menos três corretoras antes de renovar, informando o valor real do patrimônio. Patrimônio subdeclarado vira indenização proporcional no sinistro.
  • Escreva um protocolo de uma página para a equipe: quem liga para a polícia, quem tira o cliente da linha de frente, quem não revida e quem grava. Cole na cozinha e treine uma vez.
  • Registre boletim de ocorrência e imagens no mesmo dia de qualquer incidente. Sem BO e sem gravação, a seguradora nega e a responsabilização do agressor não anda.

Para aprofundar

Fontes

RFE · NBC · The · CNseg · Sonho · JSK

H
Helena Braga · editora de Custos
· atualizada em 15 de setembro

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