Rappi aposta em taxa zero para restaurantes contra o iFood
Com menos de 10% do mercado, o app promete R$ 1,4 bilhão até 2028 e isenção de comissão, enquanto o líder engorda serviços em vez de cortar preço
O plano do Rappi para atacar a liderança do iFood tem um número no centro: R$ 1,4 bilhão de investimento no Brasil até 2028, dos quais 40%, cerca de R$ 560 milhões, vão para a vertical de restaurantes, e outros 22% para o Rappi Turbo, a entrega ultrarrápida. A peça mais visível desse plano é a isenção da comissão de intermediação para bares e restaurantes cadastrados no programa, válida por três anos a partir de maio de 2025.
O tamanho do desafio explica a ousadia. O Rappi opera com menos de 10% de participação no delivery brasileiro, contra algo em torno de 80% do iFood segundo a Abrasel. Do outro lado do balcão, o líder não deu sinal de que vai brigar por preço: fechou o ano fiscal de 2026 com receita líquida acima de R$ 10 bilhões, Ebitda de R$ 2,2 bilhões e volume transacionado de R$ 150 bilhões, alta de 57%, e vem crescendo em fintech, benefícios e mercado, não em desconto de comissão.
Na prática, o Rappi tinha 30 mil restaurantes cadastrados quando anunciou o programa, com meta de dobrar essa base, e quer sair de pouco mais de 50 cidades para 300 municípios até 2028. Em 8 de julho de 2026, a operação brasileira trocou de comando com a chegada de Guillermo Formigoni, que assumiu prometendo acelerar essa expansão.
O que a taxa zero do Rappi cobra dos restaurantes de fato
Isenção de comissão não é custo zero. A tabela pública do próprio Rappi para comerciantes mantém dois planos: entrega feita pela casa, com adesão de R$ 40 e taxa de 3,5% sobre o pagamento, e entrega feita pelo app, com adesão de R$ 150 e comissão de 27% por venda. A taxa de processamento de pagamento continua sendo cobrada mesmo dentro do programa de isenção, e a contrapartida para entrar nele é operar no nível mais barato de serviço da plataforma.
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O outro número que pesa no caixa é o prazo de repasse. O Rappi paga em duas parcelas mensais: pedidos feitos até o dia 15 caem no dia 8 do mês seguinte, e os da segunda quinzena, no dia 23. Quem vende no dia 1º só recebe cinco semanas depois. Para uma casa que compra queijo, carne e embalagem à vista, isso é capital de giro parado, e precisa entrar na conta antes da assinatura.
O que muda na sua operação amanhã
Um segundo aplicativo não substitui o primeiro: ele acrescenta pedidos em cima da mesma cozinha, no mesmo horário de pico. Antes de ligar o canal, vale medir quantos pedidos por hora a produção aguenta sem estourar o tempo de entrega, porque atraso derruba avaliação nos dois apps ao mesmo tempo.
O ponto positivo é de preço. Sem comissão de intermediação, dá para aproximar o preço do cardápio digital do preço de balcão, algo impossível quando 27% do ticket vai embora. E há um cuidado contratual novo: com a disputa acirrada, plataformas passaram a oferecer adiantamentos em troca de exclusividade, prática que já rendeu à 99Food reclamações e questionamentos no Cade. Cláusula que proíbe vender em concorrente vale dinheiro, e o preço dela é o seu próximo canal.
O que fazer com isso
- Peça o contrato por escrito e procure três pontos: o que a isenção cobre, o que continua sendo cobrado e se existe cláusula de exclusividade ou prazo mínimo de permanência.
- Calcule o custo real por pedido somando taxa de pagamento, embalagem, entregador e desconto de campanha, e compare com o custo do seu canal próprio no WhatsApp.
- Ajuste o cardápio do aplicativo antes de ligar o canal, tirando itens de baixa margem ou de produção lenta que travam a cozinha no pico.
- Trave o fluxo de caixa considerando repasse de até um mês, e só entre no canal novo se a casa aguenta financiar esse período sem apertar o pagamento de fornecedor.
Para aprofundar
- Guia das taxas de delivery para restaurante
- Simulador de taxa do iFood
- Taxa zero da 99Food tem prazo: o que a conta vira quando acabar
Fontes
- Rappi vai investir R$ 1,4 bi no Brasil e isentar restaurantes de taxas (CNN Brasil)
- Guerra do delivery: Rappi aposta em taxa zero e novo app para ganhar mercado (Bloomberg Línea)
- Taxas Rappi para Restaurantes (Rappi Merchants)
- Menos delivery, mais VR e crédito: como o iFood reage às investidas de Keeta e 99 (InvestNews)
- Rappi troca comando no Brasil e aposta em nova fase de expansão com Guillermo Formigoni (Brazil Economy)
- Rappi zera taxas para restaurantes por 3 anos e anuncia investimentos de R$ 1,4 bilhão no Brasil (Mercado&Consumo)
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