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Donos de Restaurante Sábado, 10 de outubro de 2026

Custos

Carne suína no atacado fica abaixo do frango em SP

Diferença de R$ 0,39 por quilo na parcial de setembro abre espaço para revisar cotações, mas não garante queda no preço dos cortes entregues.

Carne suína no atacado fica abaixo do frango em SP, imagem ilustrativa
Foto: Reprodução

A carcaça suína especial custou menos que a carcaça de frango resfriado no atacado de São Paulo na parcial de setembro. Até o dia 18, as médias foram de R$ 7,42 e R$ 7,81 por quilo, respectivamente, segundo dados do Cepea reunidos pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS). A diferença de R$ 0,39 por quilo inverte a relação habitual entre as duas proteínas naquele mercado.

Para quem compra para restaurante, padaria ou delivery, o dado é um sinal para pedir novas propostas de cortes suínos. Ele não é uma tabela de preços para a cozinha. Carcaça no atacado e peça limpa entregue ao estabelecimento têm apresentações, rendimentos, frete e condições comerciais diferentes.

A ABCS atribui a pressão sobre a carne suína à oferta elevada no mercado brasileiro. A entidade também relata uma reação nas cotações do suíno vivo e da carcaça na segunda metade de setembro. Portanto, a oportunidade de compra sugerida pela comparação exige consulta atual ao fornecedor antes de qualquer mudança no cardápio.

Carne suína no atacado: o que a diferença mede

Os R$ 7,42 por quilo se referem à carcaça suína especial, enquanto os R$ 7,81 dizem respeito à carcaça de frango resfriado. A comparação é entre produtos inteiros negociados no atacado paulista, não entre lombo e peito de frango já preparados para uso. O jornal O Presente Rural também publicou os dois valores, com a mesma data de corte da série do Cepea.

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Na negociação, a pergunta útil é quanto custa o quilo aproveitável do corte que entra na receita. Um preço menor por quilo comprado pode perder a vantagem quando há osso, gordura retirada, aparas ou maior perda no preparo. A ficha técnica de cada prato permite comparar custo por porção servida, que é a unidade relevante para decidir preço e margem.

Como testar a troca sem alterar o cardápio às cegas

Peça cotações para o mesmo corte suíno a pelo menos dois fornecedores e compare peso líquido, padrão de limpeza, prazo de entrega e validade. Faça o mesmo com a proteína usada hoje. Só então calcule o custo da porção após o pré-preparo, incluindo os acompanhamentos que precisariam mudar.

Uma substituição também depende da aceitação do cliente e do processo de cozinha. Antes de trocar um prato de frango por suíno, teste preparo, tempo de produção e rendimento em lote pequeno. Se a vantagem aparecer apenas no indicador de carcaça, sem chegar à nota de compra, não há base para prometer preço menor ou ampliar estoque.

Oferta pressionada pode mudar de direção

A ABCS aponta sinais de recuperação do preço do suíno às vésperas do último trimestre e registra alta do milho e do farelo de soja, insumos da criação. Esses movimentos não permitem prever quanto o restaurante pagará nas próximas semanas, mas reduzem a segurança de uma decisão baseada somente na média de setembro até o dia 18.

Para compras recorrentes, vale registrar as cotações recebidas a cada semana e rever a margem dos pratos com maior consumo de proteína. A comparação entre fornecedores deve incluir bonificações, perdas e prazo de pagamento, para que uma oferta pontual não esconda aumento do custo total.

O que fazer com isso

  • Solicite preços atualizados de cortes suínos e de frango na mesma praça e para a mesma condição de entrega.
  • Calcule o custo por porção servida, usando o rendimento real medido na cozinha.
  • Teste um lote pequeno antes de substituir proteína ou alterar preço no cardápio.
  • Acompanhe as próximas cotações, pois a ABCS já identificou reação da carne suína no fim de setembro.

Para aprofundar

Fontes

H
Helena Braga · editora de Custos
· atualizada em 6 de outubro

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