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Donos de Restaurante Sábado, 10 de outubro de 2026

Gestão

Reforma tributária e crédito: o que muda no caixa do restaurante

A Selic caiu para 14% ao ano em agosto, mas o capital de giro para empresa fechou julho em 23,55%. O dinheiro mais barato prometido pelo ajuste fiscal ainda não chegou ao balcão.

Reforma tributária e crédito: o que muda no caixa do restaurante, imagem ilustrativa
Foto: Reprodução

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Reforma tributária e crédito: o que muda no caixa do restaurante

A Selic caiu para 14% ao ano em agosto, mas o capital de giro para empresa fechou julho em 23,55%. O dinheiro mais barato prometido pelo ajuste fiscal ainda não chegou ao balcão.

O Copom cortou a Selic para 14% ao ano na reunião de 5 de agosto, a quarta queda seguida desde março, quando a taxa saiu de 15%. O boletim Focus projeta 13,75% para o fim do ano. A narrativa oficial que sustenta o corte de gastos público é essa: menos despesa, menos dívida, menos juro, crédito mais barato para quem produz.

No balcão, a conta ainda é outra. A taxa média de juros do capital de giro com prazo acima de 365 dias para pessoa jurídica fechou julho em 23,55% ao ano, segundo a série 20723 do Banco Central. Em junho, estava em 21,58%. A Selic caiu e o custo do dinheiro para quem opera subiu quase dois pontos no mesmo intervalo.

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Não é um detalhe de planilha. Pesquisa nacional da Abrasel divulgada em fevereiro apontou 35% dos bares e restaurantes com dívidas em aberto. Dados do Sebrae citados no mesmo material mostram que, em 2025, oito em cada dez pequenos empresários sequer procuraram crédito novo, e menos da metade dos que tentaram teve aprovação.

O que a reforma tributária muda no crédito do restaurante

A reforma não derruba juro. O que ela mexe é na previsibilidade do caixa, e isso pesa na hora de sentar na frente do gerente do banco. Em 2026 vale a alíquota-teste de 1%, sendo 0,9% de CBS e 0,1% de IBS, compensável com PIS e Cofins, ou seja, sem efeito prático no bolso. Em 2027 a CBS passa a valer integralmente e PIS e Cofins são extintos.

A obrigação acessória, essa, já chegou. Desde 3 de agosto, empresas de Lucro Real e Lucro Presumido precisam preencher os campos de IBS e CBS na NF-e e na NFC-e. Simples Nacional e MEI têm prazo até 4 de janeiro de 2027. A rejeição automática das notas sem esses campos foi suspensa por ato conjunto da Receita e do Comitê Gestor do IBS, mas o emissor precisa estar adaptado antes do prazo.

O preço deixa de ter imposto por dentro

Hoje o dono soma custo, aplica margem e o imposto vem embutido no valor final. Com o IVA dual, o cálculo é por fora e o tributo aparece separado no documento fiscal. Quem simplesmente jogar a alíquota nova em cima da planilha antiga vai errar nos dois sentidos: cobrando demais e perdendo venda, ou cobrando de menos e comendo a própria margem.

Há outro ponto que muda a conversa com cliente empresa. A Lei Complementar 214/2025 veda o crédito de IBS e CBS a quem compra alimentação e bebida em bar, restaurante e lanchonete. Quem vive de convênio corporativo precisa saber disso antes de negociar contrato para 2027.

O corte de gasto que depende só de você

O corte de gasto público leva meses para virar juro menor na sua conta. O corte dentro da casa é imediato e não depende do Copom. Antes de tomar capital de giro a 23,55% ao ano, vale medir quanto o cardápio, a escala e a perda de estoque custam por mês.

O que fazer com isso

  • Levante hoje o custo real de cada linha de crédito que você já usa, com taxa anual, e compare com os 23,55% de média do mercado. Acima disso, renegocie ou troque de banco antes de tomar dinheiro novo.
  • Refaça a planilha de preço já com o imposto por fora, simulando a alíquota de 2027, e veja qual prato sai do lugar. É melhor descobrir agora do que em janeiro.
  • Cheque com o contador se o seu emissor de nota fiscal já grava os campos de IBS e CBS. Se você é do Simples, o prazo é 4 de janeiro de 2027, mas o teste tem que ser feito antes.
  • Escolha um gasto interno para cortar neste mês, com número na mão, em vez de esperar que a queda da Selic chegue sozinha ao seu capital de giro.

Para aprofundar

Fontes

Omie · BC · CNN · Nubank · Bares · Contmatic · v360

C
Camila Estevão · editora de Gestão
· atualizada em 15 de setembro

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