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Donos de Restaurante Terça-feira, 3 de novembro de 2026

Gestão

Fim da escala 6×1: Abrasel projeta perda de 5,9 milhões de horas

Projeção vale para a etapa de 40 horas semanais; a primeira mudança reduz o teto a 42 horas e exige revisar folgas e cobertura dos turnos.

Fim da escala 6×1: Abrasel projeta perda de 5,9 milhões de horas, imagem ilustrativa
Foto: Reprodução

O fim da escala 6×1 pode retirar pelo menos 5,9 milhões de horas de trabalho por semana dos bares e restaurantes brasileiros quando a jornada máxima chegar a 40 horas, segundo levantamento publicado pela Abrasel em 26 de outubro. A entidade calcula que repor integralmente esse tempo exigiria o equivalente a 147 mil empregados com jornadas de 40 horas. Trata-se de uma projeção para o setor, não de uma contratação obrigatória para cada estabelecimento.

Antes disso, a Emenda Constitucional 141/2026 estabelece uma etapa de 42 horas semanais e dois dias de repouso remunerado, sem redução salarial. Para essa primeira etapa, a Abrasel estima 2,9 milhões de horas semanais a menos. O texto da emenda fixa o início dessas regras em dois meses após sua publicação, ocorrida em 16 de outubro. Isso coloca a revisão das escalas na agenda imediata de quem precisa cobrir almoço, jantar e fins de semana.

Fim da escala 6×1: quantas horas faltam em cada turno?

A conta nacional parte da RAIS 2025: entre 1.744.401 vínculos formais ativos na alimentação fora do lar, 1.472.516 tinham jornada de 44 horas ou mais, informa a Abrasel. Em pesquisa com 1.838 empresários, 94,3% dos estabelecimentos com empregados CLT disseram usar mensalistas com uma folga semanal. Esses percentuais descrevem o setor e não substituem o espelho de ponto da sua casa.

Faça primeiro a conta por função e faixa horária. Simulação: uma equipe de dez pessoas contratadas para 44 horas oferece até 440 horas semanais antes de férias, faltas e intervalos. Com o teto de 42 horas, o total cai para 420, diferença de 20 horas. Na etapa de 40 horas, seriam 400, diferença de 40 horas. Mesmo que a soma semanal pareça administrável, duas folgas por pessoa podem deixar descoberto justamente o jantar de sexta-feira ou o almoço de domingo.

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Folgas, folha e preço precisam entrar na mesma conta

Com o salário semanal mantido, a redução de 44 para 42 horas eleva em cerca de 4,8% o custo por hora contratada; na passagem para 40 horas, o aumento chega a 10%. São relações matemáticas, não um reajuste automático da folha inteira. A Abrasel estima que, ao incluir a cobertura das folgas, o gasto com pessoal pode subir até 20% em casas que abrem seis dias, mas o impacto real dependerá da escala e das contratações de cada negócio.

Antes de mexer no cardápio, compare o custo adicional por semana com as vendas e a margem de cada turno. A calculadora de ponto de equilíbrio ajuda a testar quanto de receita seria necessário para cobrir uma despesa fixa maior. Se a conta apontar reajuste, confira também a margem dos pratos na calculadora de preço de venda. Cortar uma abertura pouco rentável ou escalonar entradas pode ser uma alternativa, desde que a cobertura e as regras trabalhistas sejam respeitadas.

O que fazer com isso

  • Extraia quatro semanas de ponto, vendas e pedidos por horário, separando cozinha, salão, caixa e entrega.
  • Desenhe escalas com 42 e 40 horas, duas folgas e a equipe mínima necessária em cada pico.
  • Calcule custo de cobertura por contratação ou hora extra e compare com a margem de cada turno antes de alterar preços ou horários.
  • Valide a escala com o departamento pessoal e a convenção coletiva aplicável antes de mudar jornadas ou compensações.

Para aprofundar

Fontes

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