Escala 5×2 em restaurantes: 62% não planejam contratar
Pesquisa da Abrasel mostra distância entre os planos de equipe e a nova regra de folgas, que chega em dezembro junto com a alta temporada.
Uma pesquisa da Abrasel publicada em 23 de outubro mostra que 62% dos bares e restaurantes pretendem manter o número de funcionários até o fim de 2026. Outros 31% planejam contratar e 7% consideram reduzir o quadro. O levantamento foi feito de 13 a 20 de outubro, durante a semana em que o Congresso promulgou o fim da escala 6×1.
A Emenda Constitucional 141, publicada em 16 de outubro, prevê dois dias de repouso semanal remunerado a partir de meados de dezembro. Nesse mesmo prazo, o limite semanal passa a 42 horas, chegando a 40 horas um ano depois. A mudança vale também para contratos em andamento, sem redução salarial. Para quem abre nos fins de semana, a decisão imediata é calcular se a equipe atual cobre todos os turnos com as novas folgas.
Escala 5×2 em restaurantes exige refazer a cobertura
O dado de contratação revela um possível descompasso entre calendário e capacidade de atendimento. Segundo a Abrasel, 88% dos empresários consideram difícil ou muito difícil contratar. Entre os estabelecimentos que planejam ampliar o quadro, 73% apontam o aumento da demanda como motivo. A mudança de escala não aparece entre as razões citadas para abrir vagas.
Antes de anunciar postos, vale desenhar uma semana real de operação: horário de abertura, funções indispensáveis por turno, folgas, férias e picos de movimento. Uma escala que fecha no total de horas pode deixar a cozinha ou o salão sem cobertura no sábado à noite. Acordos coletivos podem prever regime compensatório de repouso, dentro das condições da emenda. Por isso, a convenção aplicável deve entrar na revisão com o contador ou responsável trabalhista.
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Teste o custo antes de mexer no cardápio
O efeito financeiro varia conforme dias de abertura, composição da equipe e possibilidade de redistribuir tarefas. A pesquisa também mostra pressão nas margens: em setembro, 25% dos estabelecimentos ouvidos operaram no prejuízo, ante 19% em agosto. Esse dado não mede o custo da nova escala, mas indica pouco espaço para absorver despesas adicionais sem conferir as contas.
Simulação: uma casa com seis empregados, cada um escalado para seis dias por semana, dispõe de 36 jornadas de trabalho. Se todos passarem a trabalhar cinco dias, serão 30 jornadas. Para manter a mesma cobertura, faltariam seis jornadas semanais. Isso não significa automaticamente contratar duas pessoas: duração dos turnos, horários de pico, funções e regras de descanso precisam ser considerados. O exercício serve para localizar o déficit antes de decidir entre contratar, reorganizar horários ou rever dias de funcionamento.
Também não há percentual universal de reajuste do cardápio. Calcule o custo adicional de pessoal por mês e compare com a margem de contribuição dos pratos e com o volume provável de vendas. A calculadora de ponto de equilíbrio ajuda a verificar quanto a casa precisaria vender para cobrir a nova despesa.
O que fazer com isso
- Mapeie os turnos e as funções essenciais, incluindo fins de semana e férias de dezembro.
- Simule a cobertura com dois dias de folga por empregado e limite de 42 horas semanais.
- Confira a convenção coletiva e valide a nova escala com o responsável trabalhista.
- Compare o custo das alternativas com a margem e o movimento de cada dia antes de contratar ou mudar horários.
Para aprofundar
- Popeyes mostra como contratar pelo PAT sem pagar anúncio
- Falta de mão de obra em restaurantes: 90% penam para contratar
- Fim da escala 6×1: como adaptar seu restaurante à nova realidade
Fontes
- Fim da 6×1 ainda não aparece nos planos de contratação para o fim de ano – Abrasel
- Emenda Constitucional nº 141, de 16 de outubro de 2026 – Presidência da República
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