Ir para o conteúdo

Donos de Restaurante Terça-feira, 3 de novembro de 2026

Mercado

Inflação da alimentação fora do domicílio vai a 0,56%

Prévia de outubro mostra aceleração de refeições e lanches; a decisão sobre preço depende do custo real de cada prato.

Inflação da alimentação fora do domicílio vai a 0,56%, imagem ilustrativa
Foto: Reprodução

A alimentação fora do domicílio subiu 0,56% na prévia da inflação de outubro, após 0,44% em setembro. O dado é do IPCA-15, divulgado pelo IBGE em 23 de outubro e reproduzido no informativo da Secretaria de Política Econômica. Para quem administra restaurante, bar ou lanchonete, o avanço sinaliza que o mercado voltou a reajustar mais rapidamente as refeições.

Na mesma pesquisa, alimentação e bebidas avançou 0,88%, e alimentação no domicílio, 1,01%. A refeição subiu 0,61% e o lanche, 0,66%, segundo a divulgação dos resultados. Esses percentuais descrevem preços pagos pelo consumidor, não o custo de compra de um restaurante. Por isso, usar 0,56% como reajuste automático de todo o cardápio pode deixar um prato sem margem e outro caro demais.

Inflação da alimentação fora do domicílio e custo de cada prato

O sinal mais útil está na diferença entre itens. Na coleta do IPCA-15, o tomate subiu 24,54%, a cebola, 13,63%, o arroz, 5,80%, e a cenoura caiu 10,67%. São preços ao consumidor, não cotações de fornecedores para cozinhas profissionais. Ainda assim, mostram por que uma média geral esconde pressões distintas sobre um prato feito, uma pizza ou um lanche.

A decisão operacional começa na ficha técnica: pese os ingredientes, atualize o custo efetivamente pago, inclua perdas e compare o custo da porção com o preço de venda. Se o tomate encareceu na compra da casa, revise primeiro os itens em que ele tem peso relevante, em vez de alterar todo o cardápio pela mesma porcentagem. A calculadora de CMV ajuda a organizar essa conta.

Publicidade

Simulação: quando o reajuste médio não resolve

Considere uma simulação, sem relação com os preços apurados pelo IBGE: um prato vendido a R$ 40 tinha custo de ingredientes de R$ 12, ou CMV de 30%. Se a nova ficha técnica elevar esse custo para R$ 13, o CMV vai a 32,5% com o preço mantido. Aplicar 0,56% ao preço, levando-o a R$ 40,22, reduz o CMV apenas para cerca de 32,3%.

Para voltar a 30% nesse exemplo, o preço precisaria chegar a aproximadamente R$ 43,33. Isso não significa que o cliente aceitará o aumento. O operador pode testar porção, receita, negociação de compra ou composição do prato antes de decidir. A calculadora de preço de venda permite comparar cenários com os custos da própria casa.

O IPCA-15 mede uma amostra de preços de 16 de setembro a 14 de outubro em 11 áreas do país. Ele antecipa tendências, mas não substitui a nota fiscal do fornecedor nem mostra a margem de um estabelecimento específico. Também não é o IPCA fechado de outubro.

O que fazer com isso

  • Atualize as fichas técnicas dos itens mais vendidos com os preços de compra desta semana.
  • Compare o CMV antes e depois da atualização, prato por prato.
  • Simule preço, porção e substituição de ingredientes antes de mexer no cardápio.
  • Acompanhe o resultado das vendas após qualquer mudança de preço.

Para aprofundar

Fontes

T
Tomás Ferraz · editor de Mercado
· atualizada em 1 de novembro

Publicidade

Usamos cookies para medir a audiência do portal e para exibir publicidade. Enquanto você não responde, a publicidade fica não personalizada. Recusar não fecha nada do site. Detalhes na Política de Privacidade.