Café pronto para beber pode crescer 80% no Brasil até 2031
Projeção reacende a disputa por bebidas de conveniência, mas restaurante precisa testar giro e margem antes de ampliar o estoque.
O mercado brasileiro de café pronto para beber pode passar de US$ 6,44 milhões em 2025 para US$ 11,54 milhões em 2031, crescimento próximo de 80%, segundo projeção da Mordor Intelligence. A estimativa voltou a circular nesta quinta-feira, 1º de outubro, em divulgação da Ascenza e em notícia do Giro News. Para 2026, a consultoria calcula US$ 7,1 milhões.
A categoria reúne bebidas já envasadas, em lata ou garrafa, que o cliente consome sem esperar o preparo. Para restaurantes, padarias e lanchonetes, a questão prática é se essa conveniência acrescenta vendas de bebidas ou apenas troca um café feito na casa por outro item com margem menor. A projeção nacional, sozinha, não responde a essa pergunta.
Café pronto para beber disputa espaço com o café da casa
O produto pode atender quem chega com pressa, compra para levar ou inclui uma bebida no pedido de delivery. Essa é uma hipótese de uso, não um resultado garantido para cada operação. Antes de cadastrar novas marcas, o gestor precisa comparar o preço de compra por unidade com o preço líquido recebido, já descontados taxas do canal, perdas e eventuais descontos.
O teste também deve considerar o que sai do cardápio quando uma lata entra no pedido. Se o cliente que já comprava espresso ou café gelado preparado na hora migra para o envasado, o aumento de unidades vendidas pode não significar aumento de margem. Separar vendas adicionais de substituição ajuda a decidir se vale reservar espaço na geladeira.
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O canal de venda limita a leitura dos 80%
No recorte da Mordor, canais de venda para consumo fora do estabelecimento, como varejo e comércio eletrônico, concentraram 69,78% do valor em 2025. Isso indica que a maior parte da estimativa não descreve diretamente a venda dentro de restaurantes. O relatório também aponta participação de 34,84% para garrafas PET e projeta crescimento mais rápido para latas metálicas até 2031. Esses dados ajudam a escolher formatos para um teste, mas não substituem o histórico de pedidos da própria casa.
Há ainda uma diferença relevante entre estudos de mercado. A Grand View Research estima valores muito superiores para o café pronto para beber no Brasil. A própria Mordor atribui essa distância principalmente ao conjunto de produtos e canais incluídos em cada cálculo. Portanto, os US$ 11,54 milhões e os 80% devem ser lidos como projeção de uma consultoria, não como medida consensual de toda a categoria.
O que fazer com isso
- Teste uma seleção pequena de embalagens por um período definido, sem comprometer espaço de produtos que já giram.
- Registre unidades vendidas por canal e por horário para identificar onde a conveniência realmente aparece.
- Compare a margem por venda com a do café preparado na casa e observe possível substituição entre os itens.
- Revise reposição, validade e necessidade de refrigeração antes de ampliar a compra.
Para aprofundar
- Guia de precificação para restaurante
- Restaurante piloto da KFC testa café da manhã e serviço à mesa
Fontes
- Mercado de Café RTD no Brasil, Mordor Intelligence
- Café pronto para beber pode crescer 80% no Brasil até 2031, Giro News
- Dia Internacional do Café: mercado de café pronto para beber vai crescer 80% no Brasil, Ascenza
- Brazil ready to drink coffee market outlook, Grand View Research
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