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Donos de Restaurante Sábado, 10 de outubro de 2026

Mercado

Corrida da Bimbo reacende doação de alimentos por restaurantes

Prova de 27 de setembro transforma cada inscrição em 20 fatias de pão para o Sesc Mesa Brasil, o mesmo canal que recebe excedente de cozinha o ano inteiro

Corrida da Bimbo reacende doação de alimentos por restaurantes, imagem ilustrativa
Foto: Reprodução

Estão abertas as inscrições para a 11ª edição da Bimbo Global Race, marcada para o domingo, 27 de setembro de 2026. No Brasil, a prova acontece em dois pontos: o CEPEUSP, na Cidade Universitária em São Paulo, e o Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. O percurso tem caminhadas de 1 km e 3 km, pensadas para família e crianças, além de corridas de 5 km e 10 km.

O que amarra o evento ao setor de alimentação é a contrapartida. A cada inscrição presencial, o Grupo Bimbo doa 20 fatias de pão a bancos de alimentos; a inscrição na comunidade virtual vale 2 fatias. No Brasil, o destino da doação é o Sesc Mesa Brasil. A meta anunciada é de 170 mil participantes em 23 países, com mais de 16 mil deles no Brasil.

Para quem opera cozinha, o dado relevante não é a corrida, é o endereço. O Sesc Mesa Brasil é um banco de alimentos que recebe doação de padaria, restaurante e mercado o ano inteiro, não só em ação pontual de marca.

Doação de alimentos por restaurantes tem lei desde 2020

A trava histórica sempre foi o medo do processo. A Lei 14.016, de 2020, tratou disso de forma direta: autoriza restaurantes, lanchonetes e demais estabelecimentos que fornecem alimento pronto para consumo a doar o excedente a pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade, direto ou via banco de alimentos e entidade beneficente.

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A lei estabelece dois pontos que mudam a conta de risco. O primeiro: doador e intermediário só respondem nas esferas civil e administrativa por dano causado pelo alimento doado se agirem com dolo. O segundo: a responsabilidade do doador se encerra na primeira entrega ao intermediário, ou ao beneficiário final na doação direta.

Em troca, o texto exige padrão. O alimento precisa estar dentro do prazo de validade, conservado conforme especificado pelo fabricante, com integridade e segurança sanitária preservadas, ainda que apresente dano parcial ou aspecto comercialmente indesejável. Ou seja, o pão do dia anterior e a fruta feia entram; a sobra de balcão que passou horas fora da temperatura, não.

Sobra que vira doação sai da conta do lixo

O volume justifica o esforço. O Índice de Desperdício de Alimentos da ONU, publicado em 2024, contabilizou 1,05 bilhão de toneladas de resíduo alimentar em 2022, e apontou que 28% desse total sai de serviços de alimentação, atrás só das residências, que respondem por 60%. Varejo fica com 12%.

No Brasil, estimativa da Embrapa aponta 26,3 milhões de toneladas descartadas por ano dentro de uma produção de 140 milhões de toneladas. Toda tonelada que sai pela porta da frente como doação deixa de sair pela porta dos fundos como resíduo, com custo de coleta e espaço de câmara ocupado.

O que fazer com isso

  • Meça por sete dias o que a casa descarta ainda próprio para consumo, por item e por turno. Sem esse número, doação vira improviso e some na primeira semana cheia.
  • Procure a unidade do Sesc Mesa Brasil do seu estado e pergunte rotina de coleta, volume mínimo e embalagem exigida. Cada regional tem logística própria.
  • Documente cada entrega com data, item, quantidade e assinatura de quem recebeu. É esse registro que sustenta a proteção da lei se alguém questionar depois.
  • Treine quem separa: a responsabilidade sanitária continua sendo da casa até a entrega ao intermediário.

Fontes

T
Tomás Ferraz · editor de Mercado
· atualizada em 15 de setembro

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