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Donos de Restaurante Sábado, 10 de outubro de 2026

Mercado

Bandeira verde em outubro tira adicional da conta de luz

Aneel encerra cinco meses de bandeira amarela; efeito depende do consumo e das condições da fatura de cada negócio.

Bandeira verde em outubro tira adicional da conta de luz, imagem ilustrativa
Foto: Reprodução

A conta de energia de outubro virá com bandeira verde, anunciou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 25 de setembro. Isso encerra a cobrança do adicional da bandeira amarela, mantida desde maio. Para quem opera restaurante, padaria, bar ou pizzaria, a mudança entra no orçamento de uma despesa que acompanha a casa do primeiro ao último atendimento.

Em setembro, a bandeira amarela acrescentava R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos, segundo a Aneel. Com a verde, esse adicional específico é zero. Como ilustração, 1.000 kWh sujeitos à bandeira amarela correspondiam a R$ 18,85 de adicional antes dos efeitos de tributos. O valor efetivo da conta depende de consumo, tarifa, impostos, período de leitura e modalidade de contratação.

A agência atribuiu a mudança ao aumento das chuvas no Sul e no Sudeste e à estabilização de reservatórios, que permitem reduzir o uso de fontes de geração mais caras. A decisão vale para outubro. Ela não assegura bandeira verde nos meses seguintes nem representa redução automática de todos os componentes da fatura.

Bandeira verde em outubro: o que sai da fatura

A bandeira é um componente ligado ao custo de geração. A tarifa de energia, a distribuição, os tributos e outras cobranças da fatura seguem suas próprias regras. Por isso, comparar apenas o total pago em setembro e outubro pode levar a uma conclusão errada: um aumento de consumo pode absorver a economia obtida com o fim do adicional.

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O primeiro passo é olhar a linha da bandeira na conta e conferir quantos kWh foram faturados em cada ciclo. Se a leitura atravessar a virada do mês, o restaurante deve examinar como a distribuidora discriminou a cobrança. Negócios com contratos ou arranjos de fornecimento diferentes também precisam verificar a aplicação da bandeira na própria fatura antes de projetar economia.

Preço de cardápio pede conta mais ampla

A notícia chega depois de um mês de pressão sobre custos. Em análise publicada em 25 de setembro, a Abrasel destacou que 36% dos estabelecimentos pesquisados não conseguiram reajustar preços nos 12 meses anteriores. A mesma pesquisa apontou que 57% fizeram reajustes iguais ou inferiores à inflação. O fim de uma parcela da conta de luz ajuda o caixa, mas seu peso no custo total varia de operação para operação.

Para decidir se há espaço para segurar preço, vale separar energia por área ou equipamento sempre que houver medição disponível: refrigeração, climatização, fornos e iluminação têm padrões de uso distintos. Na falta dessa separação, acompanhe kWh por dia aberto e por volume de produção. A bandeira verde muda o custo unitário da energia faturada sob o sistema, mas não corrige desperdício nem elimina oscilações de consumo.

Uma ficha de custos atualizada evita repassar ao cardápio um aumento que já deixou de existir. Também impede transformar uma economia temporária em desconto permanente sem medir sua dimensão real. A decisão comercial deve considerar insumos, mão de obra, aluguel, demanda e margem de cada item, além da energia.

O que fazer com isso

  • Conferir na fatura de setembro o consumo em kWh e o adicional da bandeira amarela.
  • Estimar o efeito de outubro com o consumo esperado, separando o adicional dos demais componentes da conta.
  • Comparar kWh por dia de operação entre meses para detectar mudança de uso, independentemente da bandeira.
  • Revisar preços e metas somente depois de atualizar o custo total e a margem dos produtos mais vendidos.

Fontes

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