Chuva forte derruba salão; delivery cresce menos em São Paulo
Levantamento da Abrasel SP com a Goomer mostra que a alta dos pedidos de entrega não repõe a perda do atendimento presencial nos dias de temporal.
Nos dias em que a chuva passou de 20 milímetros em São Paulo, o movimento presencial de bares e restaurantes caiu 34,4% na amostra analisada pela Abrasel SP e pela plataforma Goomer. A pesquisa comparou pedidos registrados na plataforma entre 1º de julho e 20 de setembro com o volume de precipitação, segundo reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 25 de setembro.
O delivery subiu 6,5% sob chuva forte. Em períodos de chuva moderada, entre 5 e 20 milímetros, os pedidos para entrega aumentaram 7,2%, enquanto o atendimento presencial não teve alteração significativa. São variações de canais diferentes: os percentuais não podem ser subtraídos para calcular a perda total de faturamento.
O recado para quem opera é preparar o dia chuvoso por canal. Mais pedidos de entrega não significam, por si, que o caixa compensou as mesas vazias. A diferença depende do valor de cada pedido, das taxas cobradas, do custo da embalagem e da capacidade de atender sem atrasos.
Chuva forte e delivery exigem planos separados
Uma casa com salão cheio em dias secos precisa de um plano para quando o fluxo de pedestres cai. Na amostra da pesquisa, o recuo presencial apareceu acima de 20 milímetros de chuva. Isso não é uma regra automática para todas as cidades ou bairros, mas oferece um ponto de partida para confrontar com o histórico da própria loja.
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Antes de aumentar compras ou chamar mais gente para o turno, compare dias semelhantes: mesmo dia da semana, faixa de horário, feriados e intensidade da chuva. Separe pedidos feitos no salão, para retirada e para entrega. Se o delivery cresce apenas um pouco, preparar insumos como se ele fosse absorver todo o movimento perdido amplia sobra e desperdício.
O ganho de pedidos pode encolher na entrega
A pesquisa indica mais demanda por entrega nos períodos chuvosos, mas a reportagem registra que alguns aplicativos reduzem o raio de atendimento durante temporais. Para o restaurante, isso limita a área alcançada justamente quando o cliente pode preferir ficar em casa. Vale conferir no painel se a loja continua visível nos bairros atendidos e se os prazos anunciados ainda cabem na operação.
Também é preciso olhar a margem. Um pedido que migra da mesa para o aplicativo pode carregar comissão, embalagem e custo logístico distintos. A alta de 6,5% no volume de entregas, portanto, não demonstra ganho equivalente de receita ou lucro. O levantamento divulgado não informa quantos estabelecimentos entraram na amostra nem detalha o resultado por tipo de restaurante.
O que fazer com isso
- Separe as vendas de salão, retirada e entrega nos dias de chuva e compare cada canal com dias equivalentes sem temporal.
- Ajuste compras e escala com base no histórico da sua loja, sem aplicar a média de São Paulo diretamente à sua previsão.
- Confira raio de atendimento e prazo de entrega dos aplicativos quando houver alerta de chuva forte.
- Calcule a margem dos pedidos entregues depois de comissão, embalagem e logística antes de ampliar promoções.
Para aprofundar
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Fontes
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