IA nas entregas da Seara mira menos reentregas
Assistente conecta motoristas e equipes de apoio; para restaurantes, o caso põe foco na janela de recebimento e no registro de ocorrências.
A Seara, da JBS, anunciou em 23 de setembro a adoção de uma assistente de inteligência artificial para acompanhar rotas de distribuição e acionar as equipes responsáveis quando surgir um problema. A meta da companhia é elevar a efetividade das entregas a 98,5%. O percentual é um objetivo, e a empresa não divulgou uma taxa alcançada após a implantação.
Segundo a JBS, o projeto envolve centros de distribuição responsáveis por cerca de 500 mil entregas mensais. A companhia espera reduzir em 50% as ocorrências de reentrega, mas ainda não apresentou uma medição desse efeito. Para quem recebe insumos em restaurante, o fato chama atenção para uma etapa simples e cara quando falha: combinar horário, identificar o atraso a tempo e saber quem resolve uma entrega parcial.
Como a IA nas entregas da Seara funciona
A assistente Mari, desenvolvida pela uMov.me, reúne dados de sistemas que a Seara já usa. Antes da saída do caminhão, pode sinalizar pendências como documentos não liberados. Durante o trajeto, cruza localização, trânsito, distância e janelas de recebimento para apontar riscos às próximas paradas. Quando há desvio, encaminha a informação ao apoio, à supervisão ou à área comercial, conforme o caso.
O motorista também pode relatar por áudio, no WhatsApp, atraso na chegada, problema de faturamento ou entrega parcial. A ferramenta consulta os sistemas da operação e responde por áudio. A JBS afirma que decisões que exigem contexto e julgamento continuam com as equipes. A mudança anunciada, portanto, está no tempo entre detectar uma ocorrência e envolver a pessoa capaz de resolvê-la.
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O que muda para o recebimento do restaurante
O anúncio descreve a operação da fornecedora. Ele não informa que restaurantes terão acesso à assistente nem promete um novo canal de atendimento para compradores. Ainda assim, o processo mostra onde o restaurante pode reduzir atrito com qualquer fornecedor: oferecer uma janela de recebimento realista e manter um contato que atenda quando houver imprevisto.
Se a cozinha recebe mercadoria apenas em certos horários, essa restrição precisa constar no pedido e chegar a quem programa a rota. Um aviso de atraso recebido depois que a equipe encerrou o recebimento já não ajuda. Vale também definir quem decide sobre uma entrega parcial: aceitar os itens disponíveis, reagendar o restante ou pedir correção da nota. Essa decisão depende do estoque, do cardápio e da urgência de cada casa.
Meta logística ainda precisa virar resultado
A escala anunciada pela Seara não deve ser confundida com ganho comprovado. Além da meta de 98,5%, a empresa projeta economia de mais de 5 mil horas operacionais por mês e cerca de 500 mil litros de combustível por ano. São estimativas da companhia, sem série posterior de resultados publicada nas fontes consultadas.
Para o operador, o indicador útil é próprio: quantas compras chegam na janela combinada, completas e com documentação correta. Registrar o motivo das falhas separadamente evita atribuir todo atraso ao transporte quando o problema foi pedido incorreto, divergência de faturamento ou falta de alguém para receber.
O que fazer com isso
- Revise as janelas de recebimento informadas aos principais fornecedores e confirme o contato para avisos durante a rota.
- Registre atrasos, entregas parciais e divergências de nota, com data, fornecedor e efeito na produção.
- Defina quem pode aceitar uma entrega parcial ou negociar a reposição quando o responsável pela compra estiver ausente.
- Compare a taxa de entregas completas e no horário antes de contratar ferramentas ou alterar o processo de compras.
Fontes
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