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Donos de Restaurante Sábado, 10 de outubro de 2026

Equipamentos

Forno a lenha aceso desde 1725: o que o Botín ensina na cozinha

O restaurante mais antigo do mundo mantém o mesmo forno ligado há três séculos por um motivo técnico, e esse motivo vale para a sua casa

Forno a lenha aceso desde 1725: o que o Botín ensina na cozinha, imagem ilustrativa
Foto: Reprodução

O restaurante mais antigo do mundo ainda em funcionamento fica em Madri, chama-se Sobrino de Botín e completou 300 anos em 2025, com registro no Guinness. O detalhe que interessa a quem opera cozinha não é a idade da casa. É a idade do forno: o forno a lenha de carvalho instalado na fundação, em 1725, nunca foi apagado.

Isso não é folclore de guia turístico. A revista Smithsonian registrou que a casa assa cerca de 60 leitões por dia e recebe por volta de 800 pessoas diariamente, e que a temperatura é mantida constante porque oscilação forte pode rachar a estrutura. O relato de quem visitou o salão, publicado no Bom Gourmet, fala em cerca de 600 leitões por semana.

Ou seja: o equipamento mais valioso da casa mais antiga do mundo fica ligado 24 horas por dia há três séculos por razão de engenharia, não de marketing.

O forno a lenha é massa térmica, não botão de liga e desliga

Forno de tijolo refratário não trabalha como fritadeira ou chapa. Ele acumula calor na parede e devolve esse calor devagar. Quem toca pizzaria já sentiu na prática: a primeira pizza do dia sai diferente da vigésima com o mesmo fogo, porque a cúpula ainda não carregou.

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Essa mesma massa é o que sofre com variação. O material dilata quando aquece e contrai quando esfria, e é a junta que abre, ciclo após ciclo. A explicação registrada pela imprensa espanhola sobre o Botín é direta: se o forno esfriasse até a temperatura ambiente, o material começaria a trincar. No fechamento de 2020, um cozinheiro ia à casa todos os dias só para alimentar o fogo.

Quanto a sua casa perde toda vez que o forno esfria

A conta que quase ninguém faz no Brasil é a do tempo morto. Cúpula que passou a noite fria precisa de horas de fogo para voltar ao ponto de trabalho, algo perto de 400 graus para assar pizza em dois minutos, segundo o material técnico de construção de fornos. Toda essa lenha queimada antes do primeiro pedido é custo sem receita, e a abertura tardia empurra o gargalo para dentro do pico.

Duas decisões saem daí. A primeira é manter brasa de manutenção nos dias de operação seguida, em vez de partir do zero toda manhã. A segunda é dimensionar o equipamento pela hora de pico, não pela média do dia: com forno subdimensionado, a casa passa o serviço inteiro tentando recuperar temperatura.

Cura mal feita cobra caro no primeiro ano

Forno novo não entra em produção no dia seguinte à obra. O procedimento usual manda esperar cerca de cinco dias de secagem e depois fazer mais cinco dias de queima crescente, começando com 1 kg de combustível e chegando a 5 kg no último dia. Fogo alto em alvenaria úmida é receita de rachadura.

Duas regras valem para sempre, não só na cura. Nunca jogar água para apagar o fogo, porque o choque térmico abre o refratário. E saber separar trinca de rachadura: trinca fina todo forno tem, mas fenda por onde passa fumaça é reparo urgente, não característica do equipamento.

O que fazer com isso

  • Meça a temperatura de piso e de cúpula antes do primeiro pedido, com termômetro infravermelho, e anote quanto tempo o forno leva do frio ao ponto. Esse número é o seu custo de partida.
  • Mantenha brasa de manutenção nos dias de operação seguida em vez de apagar tudo, e compare o consumo de lenha do mês contra o método antigo antes de decidir.
  • Cure forno novo pelo protocolo de dez dias, cinco de secagem e cinco de queima crescente, mesmo com a casa pronta para abrir. Reforma de cúpula rachada custa mais que a semana de atraso.
  • Inspecione a cúpula uma vez por mês procurando fenda que deixe passar fumaça, e trate isso como manutenção preventiva, não como estética.

Para aprofundar

Fontes

D
Diogo Martins · editor de Equipamentos
· atualizada em 15 de setembro

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