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Donos de Restaurante Sábado, 10 de outubro de 2026

Delivery

Mais Entregas do iFood vira alvo do governo e mexe na sua entrega

O iFood defendeu a modalidade em ofício ao governo federal e diz que o entregador ganha de 10% a 30% acima do modelo Nuvem. A disputa decide quem paga a conta.

Mais Entregas do iFood vira alvo do governo e mexe na sua entrega, imagem ilustrativa
Foto: Reprodução

O iFood respondeu no dia 28 de agosto à Secretaria-Geral da Presidência sobre o Mais Entregas, modalidade em que o entregador reserva turno e região com até sete dias de antecedência e recebe um valor fixo pelo período reservado somado ao valor por pedido feito, mais eventuais incentivos. Segundo a empresa, quem roda nesses períodos agendados ganha de 10% a 30% a mais do que no modelo Nuvem, o formato tradicional em que a corrida cai no aplicativo sem hora marcada.

A plataforma afirmou ainda que o ganho médio na base foi de R$ 29,65 por hora em 2025 e que nenhum entregador recebe abaixo do salário mínimo por hora. O Mais Entregas está em 173 cidades, responde por 6% dos pedidos intermediados pelo iFood e 85% de quem adere também roda como Nuvem no mesmo dia.

Do outro lado, o ministro Guilherme Boulos notificou a empresa em 13 de agosto sob a alegação de que o formato induz o entregador a fazer mais entregas por valor unitário menor e prejudica quem não adere na distribuição dos pedidos. Depois da resposta, classificou a posição da empresa como insuficiente.

O que o Mais Entregas do iFood muda na porta da sua cozinha

Para quem está no plano Entrega, com comissão de 23% e logística por conta da plataforma, oferta de entregador em turno reservado vira tempo de espera do pedido pronto no balcão. Pedido embalado que fica dez minutos aguardando coleta chega frio, derruba a nota da loja e ainda ocupa bancada justamente no pico.

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Como a modalidade ainda responde por 6% do volume, o efeito hoje é pontual e concentrado nas janelas de maior demanda, sexta e sábado à noite. Vale medir em vez de achar: cronometre o intervalo entre marcar o pedido como pronto e a coleta acontecer, separando o pico do resto do dia. Esse número é o que diz se a logística da plataforma está entregando o que a comissão cobra.

A conta que pode chegar até o seu cardápio

O pano de fundo é o PL 2479/25, apresentado por Boulos, que cria piso nacional de R$ 10 por entrega de até quatro quilômetros, mais R$ 2,50 por quilômetro excedente e R$ 0,60 por minuto de espera a partir do décimo primeiro minuto. O texto também exige seguro de acidentes com cobertura mínima de R$ 150 mil e proíbe punir quem recusa pedido mal pago.

O iFood calcula que um piso desse tamanho encareceria o pedido em até 22% para o consumidor e derrubaria o volume em até 40%. Pesquisa do instituto Pinion encomendada pela própria empresa em fevereiro de 2026 aponta que 67% dos usuários reduziriam a quantidade de pedidos e quase 15% deixariam de usar o serviço se o delivery ficasse mais caro. São números de parte interessada, mas apontam para algo que o operador já conhece: taxa de entrega alta trava o carrinho.

O que fazer com isso

  • Cronometre por 14 dias o intervalo entre pedido pronto e coleta, separando pico de fora de pico. Sem ele não dá para saber se o gargalo é a cozinha ou a fila de entregadores.
  • Compare o plano Básico, com 12% de comissão e logística sua, contra o plano Entrega, com 23%, usando o custo real de motoboy da sua região no mesmo período medido.
  • Simule o cardápio com a entrega 22% mais cara e veja quais itens de ticket baixo saem do azul. É neles que a conta de um piso nacional aparece primeiro.
  • Acompanhe a tramitação do PL 2479/25, porque mudança na remuneração do entregador chega ao seu custo pela taxa e pelo preço final, não por aviso prévio da plataforma.

Para aprofundar

Fontes

R
Rafael Nunes · editor de Delivery
· atualizada em 15 de setembro

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