Taxa de entrega do iFood: o que mudou de verdade na sua conta
A reportagem sobre o iFood dobrar a taxa de entrega é de maio de 2020. O reajuste que aperta a margem agora é outro, e passou automático no seu contrato.
Voltou a circular em grupos de donos de restaurante a notícia de que o iFood dobrou a taxa de entrega de parte dos parceiros. O fato existe, mas tem seis anos. A mudança foi anunciada em maio de 2020, no meio do isolamento, e elevou a rota de até 2 quilômetros de R$ 3,99 para R$ 7,99. A faixa acima de 7 quilômetros subiu de R$ 11,99 para R$ 13,99, alta de cerca de 17%.
Quem estiver refazendo a planilha por causa desse texto está mirando no alvo errado. O reajuste que pegou o setor neste ano é o do plano Entrega Flex: a comissão sobre os pedidos entregues pela frota parceira do iFood passou a 24% em 1º de fevereiro de 2026, segundo a imprensa setorial. A alteração entrou de forma automática, sem confirmação do estabelecimento, e a mensalidade do plano ficou igual.
Quanto custa a taxa de entrega do iFood hoje
Na página oficial de parceiros, o iFood descreve dois planos. No Básico, a comissão é de 12% do valor do pedido mais 3,2% de taxa de pagamento online, com mensalidade de R$ 110 para quem fatura acima de R$ 1.800 por mês. No plano Entrega, a comissão é de 23% mais os mesmos 3,2%, com mensalidade de R$ 150. Sobre isso ainda incide a taxa de serviço de R$ 0,99 a R$ 2,49 por pedido, essa cobrada do consumidor.
O Entrega Flex é o modelo híbrido: 12% na área que a casa cobre com frota própria e o percentual maior na área que o iFood atende com a entrega parceira, até 10 quilômetros. É exatamente esse segundo percentual que subiu.
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O que um ponto percentual faz com a margem
Num pedido de R$ 100 no plano Entrega, a plataforma fica com R$ 26,20 entre comissão e pagamento online, e o restaurante recebe R$ 73,80 antes de pagar insumo, embalagem, gente e imposto. No Flex, sair de 23% para 24% na área da frota parceira derruba esse resto para R$ 72,80.
Um ponto parece pouco isolado, mas ele multiplica. Uma casa que faz 600 pedidos por mês a um ticket médio de R$ 80 perde R$ 480 por mês só nessa linha, quase R$ 5.800 no ano, sem qualquer contrapartida em volume. Para operações que já trabalham com margem líquida de um dígito, é a diferença entre fechar o mês no azul e no vermelho.
O detalhe cruel é que a cobrança muda sozinha e o preço do cardápio não. Quem montou a tabela de preços do delivery em 2025 e não mexeu mais está subsidiando o reajuste com a própria margem desde fevereiro.
O que fazer com isso
- Abra o Portal do Parceiro agora e confirme em qual plano a sua loja está e qual percentual aparece por área de entrega. O nome do plano no contrato vale mais do que qualquer print de grupo de WhatsApp.
- Recalcule o preço do cardápio de delivery com o percentual atual, e não com o do ano passado. Se o item mais vendido não cobre comissão, embalagem e insumo, ele está financiando a plataforma.
- Compare o custo de ampliar a área da frota própria dentro do Flex. Cada bairro que sai da entrega parceira e entra na sua rota volta a pagar 12% em vez de 24%, e essa conta muda com o custo do seu entregador.
- Cheque a data de qualquer notícia de taxa antes de mudar preço. Texto de 2020 reciclado nas redes já fez muita casa reajustar cardápio pelo motivo errado.
Para aprofundar
- Guia de precificação para restaurante
- Simulador de taxa do iFood
- Taxa mínima por entrega: 67% dos clientes pediriam menos
Fontes
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