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Donos de Restaurante Terça-feira, 25 de agosto de 2026

Praça Pública

Rotulagem no Mercosul: novas regras miram tabela e ingredientes

Anvisa e vizinhos do bloco negociam regra única para rótulo de alimento embalado, e a revisão deve ser aprovada ainda em 2026

Rotulagem no Mercosul: novas regras miram tabela e ingredientes, imagem ilustrativa
Foto: Reprodução

A Anvisa colocou as duas propostas na rua por meio das consultas públicas 1.357 e 1.358, abertas em novembro de 2025 com prazo de 120 dias, encerrado em 9 de março de 2026. A primeira revisa a rotulagem geral dos alimentos embalados e as regras de alergênicos, hoje na RDC 727/2022. A segunda revisa a rotulagem nutricional, e nasceu das negociações para harmonizar os requisitos da tabela nutricional entre os quatro países do Mercosul.

Em junho, a ABIA, associação que representa a indústria de alimentos, confirmou que os critérios de denominação de produto e de lista de ingredientes serão harmonizados no bloco, e não definidos só nacionalmente. Na prática, o rótulo de tudo o que entra pela porta dos fundos do restaurante, do molho de tomate ao queijo fatiado, vai mudar de novo nos próximos anos.

Rotulagem no Mercosul: o que muda no rótulo do fornecedor

As propostas alteram as informações obrigatórias do rótulo, criam novas formas de declarar ingredientes e trazem especificações próprias para embalagens pequenas. Na tabela nutricional, a principal novidade é a declaração de açúcares totais e açúcares adicionados, além de um escopo novo que passa a considerar matérias-primas.

Para quem compra insumo embalado todo dia, isso significa um período de transição parecido com o de 2022, quando a lupa da rotulagem frontal chegou aos pacotes: rótulos antigos e novos convivendo na prateleira, fichas técnicas de fornecedor desatualizadas e custo de adequação da indústria pressionando tabela de preço.

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Quem embala produto próprio entra na conta

A regra de rotulagem de alimento embalado não alcança o prato servido no salão, mas alcança o que a casa embala para vender fora do consumo imediato. Padaria que vende pão de queijo congelado, pizzaria que comercializa molho em pote, restaurante que empacota granola ou doce com marca própria: tudo isso carrega rótulo com tabela nutricional e lista de ingredientes, e vai precisar se adequar quando as resoluções saírem.

O detalhe das embalagens pequenas interessa a esse grupo. As propostas trazem especificações novas para rótulos de pouco espaço, exatamente o formato de potes, sachês e porções individuais que o food service mais usa.

Rotulagem frontal segue sem consenso no bloco

O ponto que não avançou é a lupa frontal de alto em açúcar, sódio e gordura. Argentina e Uruguai defendem aplicar o alerta a alimentos com adição desses nutrientes, enquanto Brasil e Paraguai divergem sobre os critérios. Ou seja, a tabela e a lista de ingredientes devem mudar primeiro, e a discussão sobre o selo de advertência continua aberta.

O que fazer com isso

  • Avise seu fornecedor de embalagem e rótulo se você vende produto embalado com marca própria: quem imprime rótulo em lote grande agora pode ter que descartar estoque depois.
  • Guarde as fichas técnicas atuais dos seus insumos e peça as novas quando os rótulos mudarem, porque cálculo de alergênico e de informação nutricional do seu cardápio depende delas.
  • Monitore a publicação das Resoluções GMC e o prazo de adequação que a Anvisa definir, antes de investir em rótulo novo por conta.
  • Negocie preço com fornecedor sabendo que a indústria vai tentar repassar o custo da re-rotulagem, como fez na transição de 2022.

Fontes

ABIA · Food · Fukuma · CRN

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