Bandeira tarifária amarela: o peso de quem fica ligado
A Aneel manteve a amarela em agosto, com R$ 1,885 a cada 100 kWh, e num restaurante quem paga essa conta é o equipamento que nunca desliga.
A Agência Nacional de Energia Elétrica definiu bandeira amarela para agosto de 2026, repetindo o cenário de maio, junho e julho. O adicional é de R$ 1,885 na conta a cada 100 quilowatts-hora consumidos.
A razão informada é o período seco: reservatórios das hidrelétricas em nível reduzido e necessidade de acionar termelétricas, que geram a um custo mais alto. A agência não divulgou percentual de reservatório nesta nota.
Quanto a bandeira tarifária amarela muda na sua conta
O adicional parece pequeno porque é cotado em cem quilowatts-hora, unidade que não diz nada a quem opera. Traduzindo: são cerca de R$ 18,85 a cada mil kWh.
Um restaurante de porte médio com câmara fria, dois balcões refrigerados, chapa, forno e ar-condicionado de salão passa com folga de 4 mil kWh no mês. Nesse patamar, a bandeira sozinha acrescenta perto de R$ 75, quatro meses seguidos, sobre uma conta que já subiu por reajuste de tarifa. Em doze meses, com o mesmo consumo, seriam R$ 900 de adicional puro.
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O número em si não quebra ninguém. O que ele faz é marcar onde olhar, porque o adicional incide sobre consumo, e consumo em restaurante se concentra em pouca coisa.
Os três que mandam na conta
Refrigeração. Câmara fria e balcões respondem pela maior fatia porque operam 24 horas, inclusive na segunda-feira em que a casa está fechada. Borracha de porta ressecada, condensador sujo e gás baixo fazem o compressor trabalhar mais tempo para chegar à mesma temperatura, e isso não aparece em lugar nenhum além da fatura.
Climatização de salão. Alta demanda, mas concentrada nas horas de operação. Filtro sujo é o equivalente da borracha ressecada, e a limpeza é semanal.
Praça quente. Forno e fritadeira puxam carga alta em janelas curtas. O desperdício aqui não é o uso, é o pré-aquecimento antecipado demais e o equipamento ligado entre picos.
O que fazer com isso
- Limpe o condensador da câmara fria e confira as borrachas. É o serviço de melhor retorno na cozinha e custa uma manhã de técnico.
- Meça, não estime. Um medidor de tomada em cada equipamento grande, uma semana em cada, resolve a dúvida sobre quem consome o quê por menos de R$ 200.
- Cheque a modalidade tarifária com a distribuidora. Casa com carga instalada relevante às vezes está no enquadramento errado há anos, e a correção não custa nada além do pedido.
- Coloque o horário de ligar o forno no procedimento de abertura. Pré-aquecer duas horas antes do primeiro pedido é dinheiro queimado sem nenhuma contrapartida no prato.
Fontes
Aneel · EBC · Jornaldocomercio
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