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Donos de Restaurante Terça-feira, 25 de agosto de 2026

Letra da Lei

Alerta da Anvisa sobre cúrcuma: o que muda para seu cardápio

Alerta 04/2026 aponta lesão grave no fígado por cápsulas e extratos concentrados; o tempero da cozinha segue seguro, mas rótulo de suplemento vai mudar

Alerta da Anvisa sobre cúrcuma: o que muda para seu cardápio, imagem ilustrativa
Foto: Reprodução

A Anvisa colocou sob suspeita os medicamentos e suplementos alimentares com extrato concentrado de cúrcuma (Curcuma longa). O Alerta 04/2026, da área de farmacovigilância e nutrivigilância, publicado em 6 de março e atualizado em 1º de agosto de 2026, aponta casos raros, porém graves, de inflamação e dano hepático associados ao consumo oral desses produtos em cápsula ou extrato de alta absorção.

O risco tem número lá fora. Na Austrália, a agência reguladora TGA contabilizou 18 relatos de lesão ligados a produtos de cúrcuma ou curcumina até junho de 2023, dois deles graves, incluindo uma morte. Na França, o sistema de nutrivigilância registrou dezenas de relatos de efeitos adversos, entre eles casos de hepatite. Itália e Canadá também já haviam emitido alertas semelhantes.

No Brasil, a Anvisa determinou aviso de segurança na bula de dois medicamentos à base da planta (Motore e Cumiah) e abriu processo de reavaliação dos suplementos, que deverão trazer advertência obrigatória no rótulo sobre possíveis efeitos adversos.

O que diz o alerta da Anvisa sobre a cúrcuma

O problema não é a planta, é a concentração. Segundo a agência, os casos estão associados principalmente a formulações que aumentam a absorção da curcumina, o composto ativo da cúrcuma, a níveis muito acima do que qualquer pessoa alcança comendo. É o caso de cápsulas com piperina ou tecnologias de biodisponibilidade ampliada, vendidas como anti-inflamatórias e antioxidantes em farmácias, lojas de suplemento e casas de produtos naturais.

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Estudos citados na cobertura do tema indicam que a lesão hepática costuma aparecer depois de um a quatro meses de uso contínuo. Os novos rótulos deverão advertir contra o consumo por gestantes, lactantes, crianças e pessoas com doença no fígado, problemas na vesícula ou úlcera gástrica.

Tempero na cozinha está fora do alerta

Para a operação de cozinha, a notícia é tranquilizadora: a própria Anvisa afirma que o risco não está relacionado ao uso culinário. O pó de açafrão-da-terra do curry, do arroz amarelo e da moqueca segue seguro, porque a quantidade ingerida no prato é muito menor do que a de um extrato concentrado. Não há motivo para tirar a especiaria da ficha técnica nem para responder a cliente assustado de outra forma.

O ponto de atenção é outro: casas que transformaram a cúrcuma em produto funcional. Shot matinal concentrado, golden milk vendido como bebida terapêutica e, principalmente, a revenda de cápsulas no balcão de lanchonete fit, casa de sucos ou empório aproximam a operação do território do alerta. Suplemento é produto regularizado pela Anvisa, e o rótulo dele está prestes a mudar; vender estoque antigo sem a advertência nova pode virar problema em fiscalização da vigilância local.

Há também o risco da promessa. Cardápio que anuncia “detox do fígado” ou “anti-inflamatório natural” em bebida de cúrcuma faz alegação de saúde que alimento não pode fazer, e agora sobre um ingrediente com alerta público de hepatotoxicidade nas versões concentradas. É o tipo de frase que a fiscalização passou a ler com lupa.

O que fazer com isso

  • Mantenha o açafrão-da-terra no tempero e na ficha técnica: o alerta não alcança o uso culinário, e a própria Anvisa diz isso por escrito.
  • Revise a prateleira se a casa revende cápsulas ou suplementos com cúrcuma: confira se o fornecedor está regularizado e acompanhe a chegada dos rótulos com advertência obrigatória antes de repor estoque.
  • Corte do cardápio alegações terapêuticas como “detox”, “anti-inflamatório” ou “protege o fígado” em shots e golden milk; descreva ingrediente e sabor, não promessa de saúde.
  • Oriente a equipe de salão a não recomendar suplemento nem dose reforçada a cliente; recomendação de uso concentrado é assunto de médico e nutricionista.

Fontes

Anvisa · TGA · EBC · APM · Tua

V
Vera Antunes · editora de Regulação

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