Princípios editoriais
Este documento existe para ser cobrado. Ele descreve como a redação do Donos de Restaurante apura, escreve, corrige e se comporta diante de quem é notícia. Se alguma matéria contrariar o que está escrito aqui, escreva para a redação: a correção sai publicamente, no mesmo lugar do erro.
Para que serve o jornalismo que fazemos
Quem opera um restaurante decide preço, compra, contratação e cardápio com informação incompleta e com pouco tempo. Nosso trabalho é reduzir essa distância: dizer o que aconteceu, com o número que sustenta o fato, e o que aquilo muda no custo, na margem e no caixa de quem está do outro lado do balcão.
Não somos um canal de divulgação do setor. Publicamos o que interessa a quem opera, mesmo quando desagrada quem fornece, quem intermedeia ou quem regula.
Seção I: os três atributos da informação de qualidade
1. Isenção
Isenção total não existe: ninguém se despe por inteiro do que pensa. O que existe é o esforço declarado de chegar perto dela, e são estes os compromissos que assumimos:
- Todos os ângulos entram. Quem é citado de forma desfavorável tem direito de dar a sua versão antes da publicação, e essa versão entra no texto com o mesmo destaque.
- Versão não substitui apuração. Quando a apuração permite afirmar o que aconteceu, o texto afirma, sem condicional. O “teria feito” fica reservado ao que não conseguimos confirmar.
- Não há assunto proibido. Nenhuma empresa, entidade, sindicato ou órgão público está fora do alcance da cobertura por tamanho, por relevância no setor ou por relação com o portal.
- Ninguém é punido por recusar. Quem não quer falar não é perseguido na cobertura, e quem fala não ganha tratamento melhor por isso.
- Interesse pessoal se declara. Nenhum integrante da redação cobre assunto em que tenha interesse próprio, e quem tiver deve dizer antes.
2. Correção
Nada corrói mais rápido a confiança de quem lê do que um número errado. No nosso caso o estrago é direto: uma alíquota trocada ou um piso salarial errado vira decisão errada dentro de um restaurante.
- Número sem fonte não é publicado. Todo dado citado leva o link do documento onde ele foi conferido, ao pé do texto, para o leitor conferir sozinho.
- A origem é o documento, não a manchete alheia. Norma publicada, tabela de órgão oficial, convenção coletiva registrada, decisão judicial, balanço ou comunicado da própria empresa envolvida. Portal concorrente e agregador servem, no máximo, para avisar que o assunto existe.
- O que não fecha fica de fora. Quando a apuração não confirma um número, ele não entra. Se o assunto for publicado assim mesmo, o texto avisa no topo o que ficou em aberto.
- Informação de origem única é tratada como tal. Fora de fonte oficial, um dado só entra quando mais de uma fonte independente o sustenta.
- A reação de quem lê é parte do controle de qualidade. O canal de erro é público, e usá-lo é a forma mais rápida de melhorar o que publicamos.
3. Agilidade
Notícia que chega depois da decisão não serve para nada. Um reajuste de convenção coletiva, uma mudança de alíquota ou uma alteração de regra de marketplace precisam chegar a quem opera enquanto ainda dá para reagir.
Perseguimos as duas coisas ao mesmo tempo, velocidade e precisão. Quando elas se chocam, a precisão ganha, e a matéria sai depois.
Seção II: como a redação procede
Diante das fontes
Nos apresentamos sempre como jornalistas, e dizemos para qual veículo estamos apurando. Não gravamos conversa sem avisar, não usamos identidade falsa e não obtemos documento por meio ilícito.
Combinado de anonimato é cumprido, e a fonte que pede reserva é protegida, inclusive quando isso custa a matéria. Em contrapartida, informação de fonte anônima não vira notícia sozinha: precisa de documento ou de confirmação independente.
Convite, brinde, cortesia, viagem, hospedagem e degustação não geram compromisso de cobertura e não são aceitos como condição de acesso. Quando a apuração depende de participar de um evento pago por quem é objeto da reportagem, isso é informado dentro do texto.
Diante de quem lê
O leitor recebe a informação como ela é, sem adjetivo que empurre uma conclusão. Reportagem e opinião não se misturam no mesmo texto: análise, coluna, comparativo e teste são identificados como tal.
Recomendação de produto, plataforma ou fornecedor fica em bloco separado, fora do corpo da reportagem, e nunca aparece em matéria que aponta problema na empresa recomendada.
Diante de quem é notícia
Quem for citado de forma que considere injusta tem direito a resposta proporcional, no mesmo espaço e com o mesmo destaque. O pedido é analisado em até cinco dias úteis, e a resposta, quando cabe, entra sem edição de conteúdo.
Erro publicado é corrigido no lugar onde apareceu, com nota dizendo o que mudou e quando. Matéria errada não é apagada em silêncio: trocar o texto e fingir que nada aconteceu é pior que o erro original.
Achou um erro: redacao@donosderestaurante.com.br. Diga qual matéria, qual trecho e qual é a informação correta, de preferência com a fonte.
Independência
Nenhuma empresa, entidade, órgão público ou grupo de interesse tem direito de aprovar, revisar, adiar ou barrar matéria. Relação comercial de qualquer natureza não compra pauta, não compra posição em comparativo e não impede cobertura crítica. Quando existir relação entre o portal e a empresa tratada na matéria, isso é informado dentro do próprio texto.
Seção III: os valores que defendemos
A cobertura deste portal parte de compromissos que não estão em disputa: a democracia e o Estado de Direito, a liberdade de imprensa e de expressão, a livre iniciativa com regras iguais para todos, o respeito ao consumidor e ao trabalhador, a transparência do poder público e a igualdade de tratamento entre pessoas, independentemente de origem, cor, gênero, religião ou orientação sexual.
No recorte do nosso setor, isso significa cobrir com o mesmo rigor o restaurante e o marketplace, o operador e o fornecedor, o sindicato patronal e o laboral, e tratar o pequeno com a mesma atenção que o grande. O tamanho da empresa não muda o tamanho da apuração.


